Uma Teia de Famílias


Orestes Bento Machado [Parents] was born on 26 Dec 1932 in Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil. He died on 5 Jun 2013 in Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil. He was buried on 6 Jun 2013 in Cemitério de Petrópolis. He married Living on 2 Feb 1957 in Cartório do Quatro Distrito de São Gonçalo.

Living [Parents]

They had the following children:

  M i Living
  M ii Living

PAULINO JOSÉ da Motta [Parents] was born on 8 Sep 1869 in São Pedro d'Aldeia, Rio de Janeiro, Brasil. He died in 1947/1950 in Neves em São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil. He was buried in Cemitério do Maruí em Niterói. He married FELICÍSSIMA MARIA Mendonça on 29 Sep 1890 in residência de Antonio Furtado de Mendonça Sobrinho em Quimbira.

Other marriages:
Pires, Jandyra

As informações extraídas sobre este casal vieram inicialmente das certidões de óbito de Felicíssima e do segundo casamento de Paulino, com Jacira Pires. Posteriormente, encontrei a certidão de nascimento de três filhos de Paulino de seu segundo casamento e, ainda, de duas certidões de óbito de filhos da primeira união. Graças ao neto de Leonor, M. H. B. Coutinho, obtive o assento de casamento de Paulino e Felicíssima.

De onde veio Paulino e onde se Casou?

Este meu trisavô, cuja fama não é muito boa, nada me ajuda em esclarecer sua origem. A começar pelo o nome correto de seu pai. O nome deste meu tetravô aparece em quatro certidões, a do segundo casamento e dos filhos desta segunda união. Em três dela, o nome dele é Manoel Joaquim da Motta. Entretanto, na de dois filhos de Paulino é José. A princípio tomei como verdadeiro o nome Manoel, mas atualmente estou seguro que era José.
Como notado, o nome José só apareceu nas certidões onde o declarante foi outro que Paulino. A exceção ocorre na certidão de Jaumir, declarado por Paulino, onde o escrivão colocou José e logo em seguida trocou para Manoel. Porque esta confusão? Acredito que os declarantes das outras certidões, cada certidão foi declarada por pessoas diferentes, onde aparece José, seguramente pegaram as informações com Paulino ou com algum filho. Assim, acho altamente improvável que eles tenham cometido o mesmo erro. Na certidão do primeiro casamento de Paulino, ele aparece como José, assim com na de batizados dos filhos deste.
Paulino era um mentiroso contumaz, ele alterou a idade quando se casou pela segunda vez, sua naturalidade e da de duas de suas filhas quando se casaram. O problema da naturalidade de Paulino começou a ser desfeito somente em 2011, quando encontrei a certidão de óbito de um filho que ele teve em Cabo Frio, falecido em 1906. Naquela certidão, declarada por outro cidadão, é dito que ambos os pais se casaram em Cabo Frio. Já na de uma filha, morta em 1912, em Araruama, Paulino declarou que ele e sua mulher eram naturais de Cabo Frio. Seguramente sei que Felicíssima era natural de Macaé.
Naquele mesmo ano de 2011, consegui a certidão do primeiro casamento de Paulino, que se deu em Dores de Macabú, vilarejo do município de Campos dos Goytacazes, e onde ele afirmou ser natural de Cabo Frio. O problema só foi definitivamente sanado, quando localizei um índice de assentos de batizados da igreja de São Pedro d’Aldeia, na época um distrito de Cabo Frio, onde estavam os nomes dos irmãos e do próprio Paulino (L2 f168v) lá registrados.

Primeiro Casamento

Felicíssima morava com seus pais neste pequeno vilarejo, quando conheceu o jovem Paulino. Ele deveria morar com algum familiar, já que seus pais viviam em Cabo Frio. O casamento deve ter sido arranjando, como era comum naquela época e se casaram no religioso na Igreja de Nossa Senhora das Dores de Macabú em 29 de setembro de 1890 e no civil na casa do pai de Felicíssima.
1° casamento (LB-2 f4v #6) # Às cinco horas da tarde do dia vinte e nove de setembro de mil oitocentos e noventa, n’esta freguesia de Nossa Senhora das Dores de Macabú, Município de Campos, Estado do Rio de Janeiro, e casa de morada de António Furtado de Mendonça Sobrinho no logar de Quimbira, presentes o primeiro Juiz de Paz, como Juiz dos casamentos, Antonio José da Silva Riscado, e as testemunhas Francisco Ignácio da Silva Junior e Amélio José dos Santos, comigo official, receberão se em matrimonio PAULINO JOSÉ DA MOTTA, e FELICÍSSIMA MARIA DE MENDONÇA, elle filho legitimo de JOSÉ JOAQUIM DA MOTTA e MARIA URSULA DA CONCEIÇÃO, e ella filha legitima de ANTONIO FURTADO DE MENDONÇA SOBRINHO e LAURIANNA MARIA DE MENDONÇA, o primeiro em idade de vinte e um annos e a segunda com a mesma idade, aquelle natural de Cabo Frio, e Ella de Macahé, e ambos residentes n’esta freguesia, os quais declararão não ter parentesco entre si: Em firmeza do que eu João de Menezes Silva, official do registro civil dos casamentos, lavrei este ato, que vai por todos assignados, sendo também a rogo dos contrahentes, por não saberem escrever, pelas testemunhas José Pereira de Macedo e Pedro Francisco da Cruz, como os outros lavradores residentes n’esta freguesia, e por mim official que escrevi. Antonio José da Silva Riscado. Francisco Ignácio da Silva Junior. Amélio José dos Santos. José Pereira de Macedo.

Migrações de Paulino e Felicíssima

Depois de casados, é possível o jovem casal tenha ido para Macaé, provavelmente para a mesma região onde moravam os familiares de Felicíssima. Nesta localidade eles tiveram os filhos e lá ficaram até finais de 1900, quando, então, retornaram para Dores de Macabú.
Ainda em Macaé nasceu a primeira filha do casal e que foi a minha bisavó Arlinda (F1, MMt.0.1); Alcides José da Motta (F2); Benedita da Motta (F3); Mercêdes da Motta (F4);
Com o nascimento de Mercedes, o casal, talvez em consequência da morte do pai de Felicíssima, retornou para Dores de Macabú, para que Felicíssima ficasse junto a sua mãe.
No ano seguinte, em 07 de Janeiro, nasceu Leonor (F5, LA-7 f4v #16), provavelmente sendo ela a única filha a ser registrada civilmente. O interessante é que Leonor não nasceu na casa de seu pai ou de seu avô, mas sim na de um possível amigo, ou parente lateral da família, de nome José Vicente
No ano de 1902 a família deve ter se mudado para Cabo Frio, onde teria nascido Altemira (F6) em 1902. Em 1903, e não em 1902, teria nascido Maria da Motta (F7). Segundo o que consta no assento de casamento desta, ela seria natural de Cabo Frio e teria nascido em 1902, mas isto faria dela apenas três meses mais velha que sua irmã Leonôr. Em 1905 nasceu Paulino Jr (F7, f48v #250) # Aos dezoito dias do mez de setembro do ano de mil novecentos e cinco nesta matriz de Nossa Senhora da Assumpção de Cabo Frio batizei solemnemente a PAULINO, com sete mezes de edade, filho de PAULINO LESSA DA MOTTA e de FELICISSIMA MARIA DA CONCEIÇÃO. Avós Paternos: JOSÉ JOAQUIM DA MOTTA e URSULA MARIA DA CONCEIÇÃO. Maternos: ANTONIO FURTADO DE MENDONSA e GLORIANA MARIA DA CONCEIÇÃO. Foi padrinho Manoel Luiz da Motta e protectora Nossa Senhora Sant’Anna. Todos desta parochia. Do que para constar mandei fazer este assento, que assigno. vigário, conego José Joaquim de Britto;
Na certidão acima nota-se dois erros do vigário: o segundo nome de Paulino e o primeiro nome de sua sogra. Estes erros são explicados por ter sido os assentos em questão feitos bem depois que do ato do batismo e por existir uma família Lessa na mesma época batizando filhos. Paulino Jr. não viveu muito e, com um pouco mais de um ano de vida, veio a falecer em casa de seus pais, cujo óbito foi lavrado no Primeiro cartório daquela cidade # Numero quinze. Aos quinzes dias do mez de fevereiro de mil novecentos e seis, neste primeiro districto de paz do municipio de Cabo Frio, estado do Rio de Janeiro, compareceu em meu cartório Belizario Muniz de Loyolla, pessoa idôneada da cidade se deu o fallecimento no impedimento das mais pessoas e exhibindo o attestado do cidadão Narciso Elias Lopes e José da Costa Macedo Junior eleitores e residentes nesta cidade de Cabo Frio; declararam que nesta mesma cidade falleceu em a casa de residência de seus pais, logo às onze horas da manhã, sem assistência médica de morte natural, uma criança do sexo masculino que se chamava PAULINO, branco de três dias de idade, natural e residente nesta cidade e filho legitimo de PAULINO JOSE DA MOTTA e FELICISSIMA MARIA DE MENDONÇA, casados e residentes nesta cidade. E será sepultado no Cemitério de Santa Izabel nesta cidade. Do que para constar lavrei o presente termo que lido e achado conforme commigo assignou o declarante. Eu João Antonio da Rocha, escrivão de Paz e official do registro civil que o escrevi e assigno. João Antonio da Rocha. Belisario Muniz de Loyolla.
No ano seguinte em 1906, nasceu Antônio (F9). Após um intervalo de seis anos, possivelmente com natimortos neste interim nasceu em 19 de janeiro de 1912 nasceu Ermilinda (F10) que morreu três dias depois (#1722) # Aos vinte e trez dias do mez de janeiro de mil novecentos e doze, comparecerão em meu cartório nesta cidade de Araruama, Estado do Rio de Janeiro, PAULINO JOSE DA MOTTA, morador no lugar da Restinga, primeiro districto deste município de Araruama, perante mim exhibindo um attestado de óbito, assignado por elle declarante e Theotonio Carneiro de Campos e declarou: que hontem as trez horas da tarde, na sua rezidencia, fallecêu sem assistência médica, victima de Pneumonia, uma criança do sexo feminino, de nome ERMELINDA, com trez dias de idade, filha legitima do declarante e de sua mulher FELICISSIMA MARIA DE MENDONÇA, brasileiros, naturaes do município de Cabo Frio e residentes neste primeiro districto de Araruama, onde são residentes, para ser sepultada no cemitério municipal desta cidade. E para constar lavrei este termo em que commigo assigna o declarante. Declarando que a criança é de cor branca. Eu Manoel Correa Machado, escrivão de Paz o escrevi; declarei e assigno. Manoel Correa Machado. Paulino Jose da Motta;
Por volta de 1908 o casal mudou-se para Praia Seca, onde Paulino tinha salinas e onde ergueu uma casa ainda de pé nos dias de hoje. Nesta nova residência teria nascido a última filha do casal de nome Laureana (F11). Esta Laureana se auto registrou há menos mês de se casar # Aos vinte e cinco dias do mez de setembro de mil novecentos e trinta compareceu em neste cartório do quarto districto da cidade de São Gonçalo a suplicante ora registrando LAUREANA MENDONÇA DA MOTTA, natural deste estado, solteira, doméstica, residente à rua Norival de Freitas, duzentos e setenta e oito, neste districto, e, na forma da letra A, do artigo primeiro do decreto cinco mil quinhentos e quarenta e dois de primeiro de outubro de mil novecentos e vinte e oito, faço o seguinte registro: Que a registrando é natural do município de Araruama, deste estado, nascida em dez de março de mil novecentos e treze, ás treze horas, de cor branca, do sexo feminino, filha legitima de PAULINO JOSÉ DA MOTTA e de FELICISSIMA MARIA MENDONÇA DA MOTTA, naturaes deste estado, neta paterna e materna de avós ignorados. E para constar lavro este termo que lido e achado conforme assigna a declarante com as testemunhas Adriano Motta da Paz, brasileiro, casado comercio, residente á rua Silva Jardim, trinta e dois e Dirceu de Castro Rocha, brasileiro, solteiro, commercio, residente á rua Floriano Peixoto, (...) e dezessete ambos neste districto. Eu Walter Orlandini escrevente autorizado escrevi. Eu Rubens Orlandini escrivão reconheço e assigno. Laureana Mendonça da Motta. Adriano Motta da Paz. Irineu de Castro Rocha. Rubens Orlandini;
Mesmo morando em Araruama, é possível que Paulino tivesse negócios em São Gonçalo, já que uma de suas filhas, Mercedes, já morava lá, quando da morte da mãe. O interessante é que há uma história familiar contando que Paulino tinha uma amante, que poderia ser a mesma jovem com quem se casou no ano seguinte a morte de Felicíssima. Particularmente, creio que tal informação não procede, já que Jandyra, sua segunda esposa, tinha somente dezesseis anos quando veio a se casar com Paulino. O que acredito ser jovem demais para ser uma amante.
Ida Para São Gonçalo Após a morte de Felicíssima, boa parte dos filhos do casal acompanhou o pai para São Gonçalo. Com exceção de Alcides que, como consta na certidão acima, já tinha fortes laços comerciais em Araruama e que acabou por se casar por lá em 20 de junho de 1925. O primeiro endereço registrado é o da Rua Porciúncula, #2A, no distrito de Venda da Cruz, para o ano de 1923.
No ano seguinte, a família, provavelmente em consequência das segundas núpcias de Paulino com Jandyra Pires, mudou-se para uma nova casa (# 88B) há algumas dezenas de metros da primeira. Finalmente, já em 1925 a família mudou-se para Travessa Norival de Freitas, #282, no bairro Porto Novo. Em 1930, a família ainda morava na mesma rua, porém no #278, quando Laureana se casou. Em algum momento dos anos 1930, a família, agora reduzida aos filhos do segundo casamento de Paulino mudou-se para Rua Getúlio Vargas, #1410, no bairro Santa Catarina. Casa esta que ainda existe e onde podem ser lidas as iniciais de seu nome no portal de entrada.
Com os filhos do primeiro casamento já encaminhados Paulino, se voltou em criar os de sua segunda união. Após sua morte, somente estes herdaram seus bens e ainda, décadas depois, um neto seu, Francisco Motta filho de Laureana, tentou reaver parte de sua herança, mas sem sucesso até o presente momento (2011).

Segundo Casamento de Paulino

Viúvo aos cinquenta e quatro anos, Paulino resolveu se casar, já no ano seguinte com uma jovem de nome Jandyra, com somente dezesseis anos. O seu casamento se deu no dia 01 de dezembro de 1923 e foi graças a esta certidão que obtive, pela primeira vez, os nomes de seus pais e onde moravam. Na transcrição pude notar que Paulino “rejuvenesceu” sete anos e que o nome de sua falecida esposa foi escrito erroneamente:
2° Casamento # Ao primeiro dia do mez de Dezembro de mil novecentos e vinte e três, e no lugar Sete Pontes e sendo dezessei horas, prezento o escrevente Henrique Machado Cardozo juiz de Paz em exercício e frequente do sacramento do quarto districto da Cidade e Comarca de São Gonçalo, Estado do Rio de Janeiro, commigo official de Registro Civil auditante nomeie as testemunhas abaixo mencionadas assiguinadas e depois de preenchidas as proclamas legaes receberam-se em matrimonio o Senhor PAULINO JOSÉ DA MOTTA e Dona JANDYRA PIRES; elle viúvo de FELICIANA MARIA DA CONCEIÇÃO, fallecida em Araruama neste Estado há dois annos mais ou menos; nascido em oito de setembro de mil oito cento e setenta e seis, natural do Municipio de Campos deste Estado, proprietário filho legítimo de MANUEL JOAQUIM DA MOTTA e de MARIA ÚRSULA DA CONCEIÇÃO, brazileiros, elle fallecido em Cabo Frio há seis annos mais ou menos, ella viúva com setenta e cinco annos de idade, rezidente em Cabo Frio e o noivo em Sete Pontes neste districto; e ella solteira nascida em vinte e seis de janeiro de mil novecentos e sete, natural deste município, domestica e filha legítima de VIRTULINO PIRES, e de JULIETA PIRES FERNANDES, brazileiros, ele falecido neste distrito há nove annos mais ou menos, e ella viúva com trinta e seis annos de edade e registrada com sua filha no local do documento. O proclama foi assignado em cartório durante o prazo da lei. As testemunhas por se habilitarem a apresentarem os seguintes documentos: memorial com as exigências dos noivos e seus pais, certidão das testemunhas do primeiro officio de justiça de Araruama, Estado do Rio de Janeiro, declarando ter o primeiro contrahente dado inventário de sua fallecida mulher formal de partilha do primeiro contrahente, declaração da mãe da segunda contrahente dando o seu concentimento por exigência e affirmação de sua idade, declaração de duas pessoas maiores, affirmando não haver impedimento entre os contrahentes que impeça de cazarem com ambos; tudo em conformidade com o artigo cento e oitenta do artigo civil. Em observância da letra do artigo cento e noventa e quatro do já citado código civil, presente do acto argüiu os nubentes se persistiam em se cazar um com outro de sua livres e expontaneas vontades e sendo affirmativa a resposta declarei os cazados do modo que se segue: de acordo com a vontade que ambos acabam de affirmar perante mim declaros por marido e mulher, eu em nome da lei vôs declaro cazados. Foram testemunhas do acto os senhores José Joaquim Fernandez, português, cazado e separado da mulher por centença do juiz com trinta e oito annos, do comercio e rezidente a Rua Benjamim Constante quatrocentos e oitenta, Pedro Ferreira da Costa, portugues, solteiro com trinta e quatro annos do comercio e rezidente a Rua Doutor Porciuncula sem numero. E para firmeza do acto lavro este termo que assignaram com o juiz testemunhas. Eu Rubens Orlandine escrivão o assignei. Henrique Machado Cardozo. Paulino Joze da Motta. Jandiyra Pires, Jose Joaquim Fernandes, Pedro Ferreira Costa
Nesta certidão o nome do pai de Paulino foi incorretamente dado como José, em vez de Manoel. Assim que se casaram, eles foram morar a rua Cel. Serrado, #319, no bairro Zé Garoto. Lá, permaneceram até 1926, quando se mudaram para a Norival de Freitas. Deste casamento, nasceram até o ano de 1931, três filhos.
Paulino possuía inúmeras casas em São Gonçalo, mas ainda mantinha a sua salina em Araruama. Em 22 de janeiro de 1941 foi publicado no Diário Oficial da União (pp1203) um comunicado determinando as quotas de produção de sal dos anos de 1940/1.
Nela são citados todos os produtores do Estado do Rio de Janeiro e entre eles o meu trisavô Paulino, que era proprietário da salina Santa Maria em São Pedro D’Aldeia e que no ano anterior teve uma quota de 339 toneladas de sal.
Por fim, outra informação interessante trazida à luz foi a menção, na margem direita da certidão de casamento, o termo de interdição, impetrado em 1947, de Paulino. Certamente pela idade que tinha na época, setenta e oito anos, foi declarado incapaz por algum descendente seu:
Interdição de Paulino # De acordo com a comunicação assinada pelo oficial embaixo do cartório da Primeira zona judiciária de Niterói, datada de hoje, faço no registo de casamento ao lado, sob número cento e cinqüenta e quatro a anotação que se segue, trancrevendo a referida comunicação que ficará arquivada neste cartório: Transcrição: Registo Civil. 1° Zona-Niterói. Rua São Pedro, 154, Del(egado) 2-1537. Del(egado) Francisco Davis Rosemburg Oficial Primeiro. Em 10 de novembro de 1947. (excelentíssimo) s(e)n(ho)r oficial do registro civil, do 4° distrito de São Gonçalo. Em cumprimento ao determinado no artigo 114 do Decreto 4857 de 9 de novembro de 1939, comunico que nesta data, a folhas 29 e 30 do livro 2 de emancipações interdições e ausencias, foi registrada a sentença proferida em 12 de Setembro do corrente, pelo Doutor Alfredo Cumplido de Sant’Anna, juiz de direito da 29 Vara desta Comarca e que decretou a interdição de PAULINO JOSÉ DA MOTTA, casado nesse cartório no dia 1 de dezembro de 1923, tendo sido lavrado o respectivo termo a folhas 58 e 59 v° do livro 2. Saudações Ricardo Pereira Viana substituto no imp(edimento) ocasional do Oficial privativo - nada mais se continha no referido mandado que aqui oficiei. Eu [Luiz Ro(dr)i(gue)s] oficial substituto, o escrevi, digo, substituto em exercício, o escrevi aos dez dias do mês de novembro de mil novecentos e quarenta e sete, que assigna. Luiz Ro(dr)i(gue)s.
Portanto, pouco antes de morrer, Paulino perdeu o mando sobre suas coisas. Acredito que foi graças a este casamento que se deu o rompimento dele com sua primeira família, chocada pela extrema juventude de sua noiva. Com isto, Paulino se distanciou de seus filhos mais velhos e, por fim, legou todos seus bens materiais a segunda família. O filho de Laureana, anos depois, tentou reaver a parte devido a sua mãe, mas não obteve sucesso até os dias de hoje. O processo encontra-se parado na justiça.
Até o presente momento, não obtive a data de falecimento dele, apesar das buscas nos cartórios do quarto distrito de São Gonçalo e no primeiro distrito de Niterói e de São Gonçalo. Mas acredito que ele não deve ter chegado aos anos 1950. Segundo meu pai, Paulino foi enterrado no cemitério do Maruí, no bairro do Barreto em Niterói. Segundo o meu tio, durante o velório que se deu em casa, uma das velas caiu no caixão, e queimou parte da roupa do defunto!

FELICÍSSIMA MARIA Mendonça [Parents] was born on 18 Jun 1869 in Córrego do Ouro (freguesia de Neves) em Macaé, Rio de Janeiro, Brasil. She was christened on 21 Jul 1870 in Oratório particular da Fazenda de Joaquim Furtado da Costa de Mendonça no lugar do Frade. She died on 24 Mar 1922 in Praia Seca (Restinga) em Araruama, Rio de Janeiro, Brasil. The cause of death was desinteria bacilar. She was buried on 25 Mar 1922 in Cemitério da Irmandade do Santíssimo Sacramento e São Sebastião de Araruama. She married PAULINO JOSÉ da Motta on 29 Sep 1890 in residência de Antonio Furtado de Mendonça Sobrinho em Quimbira.

Felizmente, os problemas que tive com Paulino não sofri com sua esposa Felicíssima. Como atesta sua certidão de batizado, ela era natural de Macaé, onde teria nascido na antiga freguesia de Neves, região serrana daquele município. Segundo o que consta, ela foi batizada no oratório particular de seu pai no dia 21 de julho de 1870. Nesta certidão e na de óbito consta que seus pais eram António Furtado de Mendonça Sobrinho e Laureana Rosa de Sousa. Ainda, em sua certidão de batizado, consta que ela teria nascido em 1869, mas na de óbito ela teria nascido em 1872. Como a de batizado é a mais fidedigna, retive aquela primeira (L6 f287) # CERTIFICO que no livro 06 de assentamento de batizados desta paróquia, a fls. 287e sob o n.º S/N consta que aos vinte e hum do mês de julho do ano de mil oitocentos e setenta (1870) foi batizada solenemente Felicíssima nascida a dezoito de junho do ano passado, filha legítima Antonio Furtado de Mendonça Sobrinho e de Lauriana Maria de Mendonça, sendo padrinhos José Francisco dos (Santos) e Ana Maria de Jesus. Batizado realizado no oratório particular da Fazenda de Joaquim Furtado da Costa Mendonça lugar do [Frade], desta freguesia das Neves, vigário da época Collado Manuel da Silva e Souza.
Em meados da década de 1870, a família de Felicíssima se mudou para o vilarejo de Quimbira, em Dores de Macabú, no município de Campos. Lá ela se casou do Paulino.
Morte Prematura de Felicíssima O ano de 1922 foi marcante para toda a família, com a morte da adorável Felicíssima. Já contando com cinquenta e três anos, e dada as condições sanitárias da época, quando a contaminação da água deveria ser algo comum, Felicíssima contraiu uma infecção intestinal severa e que a levou a morte rápida, mas dolorosa:
Na margem esquerda consta: Numero quarenta FELICISSIMA MARIA DE MENDONÇA, feminino, branca, quarenta e oito anos de edade, casada, serviço doméstico, brasileira, dezinteria bacilar, filha legítima de ANTONIO FURTADO DE MENDONÇA e LAUREANA MENDONÇA, Cidade. No corpo: Aos vinte e cinco dias do mez de Março de mil novecentos e vinte e dois, compareceu em o mêo cartório, nesta cidade de Araruama, Estado do Rio de Janeiro, José Argês de Souza Resende, morador nesta cidade perante mim exhibio um attestado de óbito assignado por elle declarante e Luiz Maria Lamas Rabello, e declarou; que homtem às dezessete horas, nesta cidade e domicilio de seu vizinho PAULINO JOSÉ DA MOTTA, fallecêu sem assistência médica, de morte natural prezumindo-se ser Desinteria Bacilar, sua vizinha FELICISSIMA MARIA DE MENDONÇA, do sexo femenino, de cor branca, de quarenta e oito annos de edade, casada com PAULINO JOSÉ DA MOTTA, brasileira, natural de Macahé, neste Estado, residente e do serviço doméstico neste districto, filha legítima de ANTONIO FURTADO DE MENDONCA e LAUREANNA DE MENDONÇA, deixando bens á inventariar-se e os filhos seguintes: ARLINDA MENDONÇA DA MOTTA, casada digo; MOTTA, viúva de JOÃO DA SILVA ARANHA, do serviço doméstico trinta annos de edade; ALCIDES DE MENDONÇA MOTTA, solteiro, de vinte e sete annos de edade, industrial; BENEDICTA DE MENDONÇA DA MOTTA, solteira, de vinte e quatro, do serviço doméstico digo; de vinte e quatro annos de edade, do serviço doméstico; MERCÊDES DE MENDONÇA MOTTA; solteira digo, MOTTA, de vinte e dois annos de edade, casada com VALENTIM JOSÉ DOS SANTOS; LEONÔR MOTTA de dezenove annos de edade, do serviço doméstico, solteira; MARIA MENDONÇA DA MOTTA, solteira, de dezenove annos de edade, do serviço doméstico; ALTAMIRA MENDONÇA DA MOTTA, solteira, quinze anos de edade, e LAUREANNA MOTTA, com oito annos de edade, todos domiciliados e residentes neste distrito, a exepção de MERCÊDES DE MENDONÇA MOTTA que é domiciliada e residente na cidade de Nichteroy, neste Estado, para ser sepultada no Cemitério da Irmandade do Santíssimo Sacramento e São Sebastião desta Cidade. E para constar, lavrei este termo, em que commigo assignam o declarante e as testemunhas [mais], Colimério Nunes de Carvalho e Avelino de Mendonça Vargas, lavrador, residentes neste primeiro districto. Eu Jayme Lopes de Aguiar, Escrivão de Paz e Official do Regisro Civil o escrevi e assigno. Jayme Lopes de Aguiar. José Argê de Souza Resende. Colimério Nunes de Carvalho. Avelino de Mendonça Vargas.

They had the following children:

  F i ARLINDA Mendonça da Motta
  M ii Alcídes José da Motta
  F iii Benedita Mendonça da Motta was born in 1898 in Quimbira em Dores de Macabu em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil. She died in São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil.
  F iv Mercêdes Mendonça da Motta
  F v Leonôr Mendonça da Motta
  F vi Altemira Mendonça da Motta
  F vii Maria Mendonça da Motta
  M viii Paulino Mendonça da Motta was born on 12 Feb 1905 in Cabo Frio, Rio de Janeiro, Brasil. He was christened on 15 Sep 1905 in Igreja de Nossa Senhora da Assunção. He died on 15 Feb 1906 in Cabo Frio, Rio de Janeiro, Brasil. He was buried on 16 Feb 1906 in Cemitério de Santa Izabel em Cabo Frio.

Batismo (f48v #250) # Aos dezoito dias do mez de setembro do ano de mil novecentos e cinco nesta matriz de Nossa Senhora da Assumpção de Cabo Frio batizei solemnemente a PAULINO, com sete mezes de edade, filho de PAULINO LESSA DA MOTTA e de FELICISSIMA MARIA DA CONCEIÇÃO. Avós Paternos: JOSÉ JOAQUIM DA MOTTA e URSULA MARIA DA CONCEIÇÃO. Maternos: ANTONIO FURTADO DE MENDONSA e GLORIANA MARIA DA CONCEIÇÃO. Foi padrinho Manoel Luiz da Motta e protectora Nossa Senhora Sant’Anna. Todos desta parochia. Do que para constar mandei fazer este assento, que assigno. vigário, conego José Joaquim de Britto.

Óbito # Numero quinze. Aos quinzes dias do mez de fevereiro de mil novecentos e seis, neste primeiro districto de paz do municipio de Cabo Frio, estado do Rio de Janeiro, compareceu em meu cartório Belizario Muniz de Loyolla, pessoa idôneada da cidade se deu o fallecimento no impedimento das mais pessoas e exhibindo o attestado do cidadão Narciso Elias Lopes e José da Costa Macedo Junior eleitores e residentes nesta cidade de Cabo Frio; declararam que nesta mesma cidade falleceu em a casa de residência de seus pais, logo às onze horas da manhã, sem assistência médica de morte natural, uma criança do sexo masculino que se chamava PAULINO, branco de três dias de idade, natural e residente nesta cidade e filho legitimo de PAULINO JOSE DA MOTTA e FELICISSIMA MARIA DE MENDONÇA, casados e residentes nesta cidade. E será sepultado no Cemitério de Santa Izabel nesta cidade. Do que para constar lavrei o presente termo que lido e achado conforme commigo assignou o declarante. Eu João Antonio da Rocha, escrivão de Paz e official do registro civil que o escrevi e assigno. João Antonio da Rocha. Belisario Muniz de Loyolla
  M ix Antônio Mendonça da Motta
  F x Ermilinda Mendonça da Motta was born on 19 Jan 1912 in Praia Seca (Restinga) em Araruama, Rio de Janeiro, Brasil. She died on 22 Jan 1912 in Praia Seca (Restinga) em Araruama, Rio de Janeiro, Brasil. She was buried on 23 Jan 1912 in Cemitério municipal de Araruama.

Óbito (#1722) # Aos vinte e trez dias do mez de janeiro de mil novecentos e doze, comparecerão em meu cartório nesta cidade de Araruama, Estado do Rio de Janeiro, PAULINO JOSE DA MOTTA, morador no lugar da Restinga, primeiro districto deste município de Araruama, perante mim exhibindo um attestado de óbito, assignado por elle declarante e Theotonio Carneiro de Campos e declarou: que hontem as trez horas da tarde, na sua rezidencia, fallecêu sem assistência médica, victima de Pneumonia, uma criança do sexo feminino, de nome ERMELINDA, com trez dias de idade, filha legitima do declarante e de sua mulher FELICISSIMA MARIA DE MENDONÇA, brasileiros, naturaes do município de Cabo Frio e residentes neste primeiro districto de Araruama, onde são residentes, para ser sepultada no cemitério municipal desta cidade. E para constar lavrei este termo em que commigo assigna o declarante. Declarando que a criança é de cor branca. Eu Manoel Correa Machado, Escrivão de Paz o escrevi; declarei e assigno. Manoel Correa Machado. Paulino Jose da Motta;
  F xi Laureana Mendonça da Motta

PAULINO JOSÉ da Motta [Parents] was born on 8 Sep 1869 in São Pedro d'Aldeia, Rio de Janeiro, Brasil. He died in 1947/1950 in Neves em São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil. He was buried in Cemitério do Maruí em Niterói. He married Jandyra Pires on 1 Dec 1923 in Sete Pontes em São Gonçalo.

Other marriages:
Mendonça, FELICÍSSIMA MARIA

As informações extraídas sobre este casal vieram inicialmente das certidões de óbito de Felicíssima e do segundo casamento de Paulino, com Jacira Pires. Posteriormente, encontrei a certidão de nascimento de três filhos de Paulino de seu segundo casamento e, ainda, de duas certidões de óbito de filhos da primeira união. Graças ao neto de Leonor, M. H. B. Coutinho, obtive o assento de casamento de Paulino e Felicíssima.

De onde veio Paulino e onde se Casou?

Este meu trisavô, cuja fama não é muito boa, nada me ajuda em esclarecer sua origem. A começar pelo o nome correto de seu pai. O nome deste meu tetravô aparece em quatro certidões, a do segundo casamento e dos filhos desta segunda união. Em três dela, o nome dele é Manoel Joaquim da Motta. Entretanto, na de dois filhos de Paulino é José. A princípio tomei como verdadeiro o nome Manoel, mas atualmente estou seguro que era José.
Como notado, o nome José só apareceu nas certidões onde o declarante foi outro que Paulino. A exceção ocorre na certidão de Jaumir, declarado por Paulino, onde o escrivão colocou José e logo em seguida trocou para Manoel. Porque esta confusão? Acredito que os declarantes das outras certidões, cada certidão foi declarada por pessoas diferentes, onde aparece José, seguramente pegaram as informações com Paulino ou com algum filho. Assim, acho altamente improvável que eles tenham cometido o mesmo erro. Na certidão do primeiro casamento de Paulino, ele aparece como José, assim com na de batizados dos filhos deste.
Paulino era um mentiroso contumaz, ele alterou a idade quando se casou pela segunda vez, sua naturalidade e da de duas de suas filhas quando se casaram. O problema da naturalidade de Paulino começou a ser desfeito somente em 2011, quando encontrei a certidão de óbito de um filho que ele teve em Cabo Frio, falecido em 1906. Naquela certidão, declarada por outro cidadão, é dito que ambos os pais se casaram em Cabo Frio. Já na de uma filha, morta em 1912, em Araruama, Paulino declarou que ele e sua mulher eram naturais de Cabo Frio. Seguramente sei que Felicíssima era natural de Macaé.
Naquele mesmo ano de 2011, consegui a certidão do primeiro casamento de Paulino, que se deu em Dores de Macabú, vilarejo do município de Campos dos Goytacazes, e onde ele afirmou ser natural de Cabo Frio. O problema só foi definitivamente sanado, quando localizei um índice de assentos de batizados da igreja de São Pedro d’Aldeia, na época um distrito de Cabo Frio, onde estavam os nomes dos irmãos e do próprio Paulino (L2 f168v) lá registrados.

Primeiro Casamento

Felicíssima morava com seus pais neste pequeno vilarejo, quando conheceu o jovem Paulino. Ele deveria morar com algum familiar, já que seus pais viviam em Cabo Frio. O casamento deve ter sido arranjando, como era comum naquela época e se casaram no religioso na Igreja de Nossa Senhora das Dores de Macabú em 29 de setembro de 1890 e no civil na casa do pai de Felicíssima.
1° casamento (LB-2 f4v #6) # Às cinco horas da tarde do dia vinte e nove de setembro de mil oitocentos e noventa, n’esta freguesia de Nossa Senhora das Dores de Macabú, Município de Campos, Estado do Rio de Janeiro, e casa de morada de António Furtado de Mendonça Sobrinho no logar de Quimbira, presentes o primeiro Juiz de Paz, como Juiz dos casamentos, Antonio José da Silva Riscado, e as testemunhas Francisco Ignácio da Silva Junior e Amélio José dos Santos, comigo official, receberão se em matrimonio PAULINO JOSÉ DA MOTTA, e FELICÍSSIMA MARIA DE MENDONÇA, elle filho legitimo de JOSÉ JOAQUIM DA MOTTA e MARIA URSULA DA CONCEIÇÃO, e ella filha legitima de ANTONIO FURTADO DE MENDONÇA SOBRINHO e LAURIANNA MARIA DE MENDONÇA, o primeiro em idade de vinte e um annos e a segunda com a mesma idade, aquelle natural de Cabo Frio, e Ella de Macahé, e ambos residentes n’esta freguesia, os quais declararão não ter parentesco entre si: Em firmeza do que eu João de Menezes Silva, official do registro civil dos casamentos, lavrei este ato, que vai por todos assignados, sendo também a rogo dos contrahentes, por não saberem escrever, pelas testemunhas José Pereira de Macedo e Pedro Francisco da Cruz, como os outros lavradores residentes n’esta freguesia, e por mim official que escrevi. Antonio José da Silva Riscado. Francisco Ignácio da Silva Junior. Amélio José dos Santos. José Pereira de Macedo.

Migrações de Paulino e Felicíssima

Depois de casados, é possível o jovem casal tenha ido para Macaé, provavelmente para a mesma região onde moravam os familiares de Felicíssima. Nesta localidade eles tiveram os filhos e lá ficaram até finais de 1900, quando, então, retornaram para Dores de Macabú.
Ainda em Macaé nasceu a primeira filha do casal e que foi a minha bisavó Arlinda (F1, MMt.0.1); Alcides José da Motta (F2); Benedita da Motta (F3); Mercêdes da Motta (F4);
Com o nascimento de Mercedes, o casal, talvez em consequência da morte do pai de Felicíssima, retornou para Dores de Macabú, para que Felicíssima ficasse junto a sua mãe.
No ano seguinte, em 07 de Janeiro, nasceu Leonor (F5, LA-7 f4v #16), provavelmente sendo ela a única filha a ser registrada civilmente. O interessante é que Leonor não nasceu na casa de seu pai ou de seu avô, mas sim na de um possível amigo, ou parente lateral da família, de nome José Vicente
No ano de 1902 a família deve ter se mudado para Cabo Frio, onde teria nascido Altemira (F6) em 1902. Em 1903, e não em 1902, teria nascido Maria da Motta (F7). Segundo o que consta no assento de casamento desta, ela seria natural de Cabo Frio e teria nascido em 1902, mas isto faria dela apenas três meses mais velha que sua irmã Leonôr. Em 1905 nasceu Paulino Jr (F7, f48v #250) # Aos dezoito dias do mez de setembro do ano de mil novecentos e cinco nesta matriz de Nossa Senhora da Assumpção de Cabo Frio batizei solemnemente a PAULINO, com sete mezes de edade, filho de PAULINO LESSA DA MOTTA e de FELICISSIMA MARIA DA CONCEIÇÃO. Avós Paternos: JOSÉ JOAQUIM DA MOTTA e URSULA MARIA DA CONCEIÇÃO. Maternos: ANTONIO FURTADO DE MENDONSA e GLORIANA MARIA DA CONCEIÇÃO. Foi padrinho Manoel Luiz da Motta e protectora Nossa Senhora Sant’Anna. Todos desta parochia. Do que para constar mandei fazer este assento, que assigno. vigário, conego José Joaquim de Britto;
Na certidão acima nota-se dois erros do vigário: o segundo nome de Paulino e o primeiro nome de sua sogra. Estes erros são explicados por ter sido os assentos em questão feitos bem depois que do ato do batismo e por existir uma família Lessa na mesma época batizando filhos. Paulino Jr. não viveu muito e, com um pouco mais de um ano de vida, veio a falecer em casa de seus pais, cujo óbito foi lavrado no Primeiro cartório daquela cidade # Numero quinze. Aos quinzes dias do mez de fevereiro de mil novecentos e seis, neste primeiro districto de paz do municipio de Cabo Frio, estado do Rio de Janeiro, compareceu em meu cartório Belizario Muniz de Loyolla, pessoa idôneada da cidade se deu o fallecimento no impedimento das mais pessoas e exhibindo o attestado do cidadão Narciso Elias Lopes e José da Costa Macedo Junior eleitores e residentes nesta cidade de Cabo Frio; declararam que nesta mesma cidade falleceu em a casa de residência de seus pais, logo às onze horas da manhã, sem assistência médica de morte natural, uma criança do sexo masculino que se chamava PAULINO, branco de três dias de idade, natural e residente nesta cidade e filho legitimo de PAULINO JOSE DA MOTTA e FELICISSIMA MARIA DE MENDONÇA, casados e residentes nesta cidade. E será sepultado no Cemitério de Santa Izabel nesta cidade. Do que para constar lavrei o presente termo que lido e achado conforme commigo assignou o declarante. Eu João Antonio da Rocha, escrivão de Paz e official do registro civil que o escrevi e assigno. João Antonio da Rocha. Belisario Muniz de Loyolla.
No ano seguinte em 1906, nasceu Antônio (F9). Após um intervalo de seis anos, possivelmente com natimortos neste interim nasceu em 19 de janeiro de 1912 nasceu Ermilinda (F10) que morreu três dias depois (#1722) # Aos vinte e trez dias do mez de janeiro de mil novecentos e doze, comparecerão em meu cartório nesta cidade de Araruama, Estado do Rio de Janeiro, PAULINO JOSE DA MOTTA, morador no lugar da Restinga, primeiro districto deste município de Araruama, perante mim exhibindo um attestado de óbito, assignado por elle declarante e Theotonio Carneiro de Campos e declarou: que hontem as trez horas da tarde, na sua rezidencia, fallecêu sem assistência médica, victima de Pneumonia, uma criança do sexo feminino, de nome ERMELINDA, com trez dias de idade, filha legitima do declarante e de sua mulher FELICISSIMA MARIA DE MENDONÇA, brasileiros, naturaes do município de Cabo Frio e residentes neste primeiro districto de Araruama, onde são residentes, para ser sepultada no cemitério municipal desta cidade. E para constar lavrei este termo em que commigo assigna o declarante. Declarando que a criança é de cor branca. Eu Manoel Correa Machado, escrivão de Paz o escrevi; declarei e assigno. Manoel Correa Machado. Paulino Jose da Motta;
Por volta de 1908 o casal mudou-se para Praia Seca, onde Paulino tinha salinas e onde ergueu uma casa ainda de pé nos dias de hoje. Nesta nova residência teria nascido a última filha do casal de nome Laureana (F11). Esta Laureana se auto registrou há menos mês de se casar # Aos vinte e cinco dias do mez de setembro de mil novecentos e trinta compareceu em neste cartório do quarto districto da cidade de São Gonçalo a suplicante ora registrando LAUREANA MENDONÇA DA MOTTA, natural deste estado, solteira, doméstica, residente à rua Norival de Freitas, duzentos e setenta e oito, neste districto, e, na forma da letra A, do artigo primeiro do decreto cinco mil quinhentos e quarenta e dois de primeiro de outubro de mil novecentos e vinte e oito, faço o seguinte registro: Que a registrando é natural do município de Araruama, deste estado, nascida em dez de março de mil novecentos e treze, ás treze horas, de cor branca, do sexo feminino, filha legitima de PAULINO JOSÉ DA MOTTA e de FELICISSIMA MARIA MENDONÇA DA MOTTA, naturaes deste estado, neta paterna e materna de avós ignorados. E para constar lavro este termo que lido e achado conforme assigna a declarante com as testemunhas Adriano Motta da Paz, brasileiro, casado comercio, residente á rua Silva Jardim, trinta e dois e Dirceu de Castro Rocha, brasileiro, solteiro, commercio, residente á rua Floriano Peixoto, (...) e dezessete ambos neste districto. Eu Walter Orlandini escrevente autorizado escrevi. Eu Rubens Orlandini escrivão reconheço e assigno. Laureana Mendonça da Motta. Adriano Motta da Paz. Irineu de Castro Rocha. Rubens Orlandini;
Mesmo morando em Araruama, é possível que Paulino tivesse negócios em São Gonçalo, já que uma de suas filhas, Mercedes, já morava lá, quando da morte da mãe. O interessante é que há uma história familiar contando que Paulino tinha uma amante, que poderia ser a mesma jovem com quem se casou no ano seguinte a morte de Felicíssima. Particularmente, creio que tal informação não procede, já que Jandyra, sua segunda esposa, tinha somente dezesseis anos quando veio a se casar com Paulino. O que acredito ser jovem demais para ser uma amante.
Ida Para São Gonçalo Após a morte de Felicíssima, boa parte dos filhos do casal acompanhou o pai para São Gonçalo. Com exceção de Alcides que, como consta na certidão acima, já tinha fortes laços comerciais em Araruama e que acabou por se casar por lá em 20 de junho de 1925. O primeiro endereço registrado é o da Rua Porciúncula, #2A, no distrito de Venda da Cruz, para o ano de 1923.
No ano seguinte, a família, provavelmente em consequência das segundas núpcias de Paulino com Jandyra Pires, mudou-se para uma nova casa (# 88B) há algumas dezenas de metros da primeira. Finalmente, já em 1925 a família mudou-se para Travessa Norival de Freitas, #282, no bairro Porto Novo. Em 1930, a família ainda morava na mesma rua, porém no #278, quando Laureana se casou. Em algum momento dos anos 1930, a família, agora reduzida aos filhos do segundo casamento de Paulino mudou-se para Rua Getúlio Vargas, #1410, no bairro Santa Catarina. Casa esta que ainda existe e onde podem ser lidas as iniciais de seu nome no portal de entrada.
Com os filhos do primeiro casamento já encaminhados Paulino, se voltou em criar os de sua segunda união. Após sua morte, somente estes herdaram seus bens e ainda, décadas depois, um neto seu, Francisco Motta filho de Laureana, tentou reaver parte de sua herança, mas sem sucesso até o presente momento (2011).

Segundo Casamento de Paulino

Viúvo aos cinquenta e quatro anos, Paulino resolveu se casar, já no ano seguinte com uma jovem de nome Jandyra, com somente dezesseis anos. O seu casamento se deu no dia 01 de dezembro de 1923 e foi graças a esta certidão que obtive, pela primeira vez, os nomes de seus pais e onde moravam. Na transcrição pude notar que Paulino “rejuvenesceu” sete anos e que o nome de sua falecida esposa foi escrito erroneamente:
2° Casamento # Ao primeiro dia do mez de Dezembro de mil novecentos e vinte e três, e no lugar Sete Pontes e sendo dezessei horas, prezento o escrevente Henrique Machado Cardozo juiz de Paz em exercício e frequente do sacramento do quarto districto da Cidade e Comarca de São Gonçalo, Estado do Rio de Janeiro, commigo official de Registro Civil auditante nomeie as testemunhas abaixo mencionadas assiguinadas e depois de preenchidas as proclamas legaes receberam-se em matrimonio o Senhor PAULINO JOSÉ DA MOTTA e Dona JANDYRA PIRES; elle viúvo de FELICIANA MARIA DA CONCEIÇÃO, fallecida em Araruama neste Estado há dois annos mais ou menos; nascido em oito de setembro de mil oito cento e setenta e seis, natural do Municipio de Campos deste Estado, proprietário filho legítimo de MANUEL JOAQUIM DA MOTTA e de MARIA ÚRSULA DA CONCEIÇÃO, brazileiros, elle fallecido em Cabo Frio há seis annos mais ou menos, ella viúva com setenta e cinco annos de idade, rezidente em Cabo Frio e o noivo em Sete Pontes neste districto; e ella solteira nascida em vinte e seis de janeiro de mil novecentos e sete, natural deste município, domestica e filha legítima de VIRTULINO PIRES, e de JULIETA PIRES FERNANDES, brazileiros, ele falecido neste distrito há nove annos mais ou menos, e ella viúva com trinta e seis annos de edade e registrada com sua filha no local do documento. O proclama foi assignado em cartório durante o prazo da lei. As testemunhas por se habilitarem a apresentarem os seguintes documentos: memorial com as exigências dos noivos e seus pais, certidão das testemunhas do primeiro officio de justiça de Araruama, Estado do Rio de Janeiro, declarando ter o primeiro contrahente dado inventário de sua fallecida mulher formal de partilha do primeiro contrahente, declaração da mãe da segunda contrahente dando o seu concentimento por exigência e affirmação de sua idade, declaração de duas pessoas maiores, affirmando não haver impedimento entre os contrahentes que impeça de cazarem com ambos; tudo em conformidade com o artigo cento e oitenta do artigo civil. Em observância da letra do artigo cento e noventa e quatro do já citado código civil, presente do acto argüiu os nubentes se persistiam em se cazar um com outro de sua livres e expontaneas vontades e sendo affirmativa a resposta declarei os cazados do modo que se segue: de acordo com a vontade que ambos acabam de affirmar perante mim declaros por marido e mulher, eu em nome da lei vôs declaro cazados. Foram testemunhas do acto os senhores José Joaquim Fernandez, português, cazado e separado da mulher por centença do juiz com trinta e oito annos, do comercio e rezidente a Rua Benjamim Constante quatrocentos e oitenta, Pedro Ferreira da Costa, portugues, solteiro com trinta e quatro annos do comercio e rezidente a Rua Doutor Porciuncula sem numero. E para firmeza do acto lavro este termo que assignaram com o juiz testemunhas. Eu Rubens Orlandine escrivão o assignei. Henrique Machado Cardozo. Paulino Joze da Motta. Jandiyra Pires, Jose Joaquim Fernandes, Pedro Ferreira Costa
Nesta certidão o nome do pai de Paulino foi incorretamente dado como José, em vez de Manoel. Assim que se casaram, eles foram morar a rua Cel. Serrado, #319, no bairro Zé Garoto. Lá, permaneceram até 1926, quando se mudaram para a Norival de Freitas. Deste casamento, nasceram até o ano de 1931, três filhos.
Paulino possuía inúmeras casas em São Gonçalo, mas ainda mantinha a sua salina em Araruama. Em 22 de janeiro de 1941 foi publicado no Diário Oficial da União (pp1203) um comunicado determinando as quotas de produção de sal dos anos de 1940/1.
Nela são citados todos os produtores do Estado do Rio de Janeiro e entre eles o meu trisavô Paulino, que era proprietário da salina Santa Maria em São Pedro D’Aldeia e que no ano anterior teve uma quota de 339 toneladas de sal.
Por fim, outra informação interessante trazida à luz foi a menção, na margem direita da certidão de casamento, o termo de interdição, impetrado em 1947, de Paulino. Certamente pela idade que tinha na época, setenta e oito anos, foi declarado incapaz por algum descendente seu:
Interdição de Paulino # De acordo com a comunicação assinada pelo oficial embaixo do cartório da Primeira zona judiciária de Niterói, datada de hoje, faço no registo de casamento ao lado, sob número cento e cinqüenta e quatro a anotação que se segue, trancrevendo a referida comunicação que ficará arquivada neste cartório: Transcrição: Registo Civil. 1° Zona-Niterói. Rua São Pedro, 154, Del(egado) 2-1537. Del(egado) Francisco Davis Rosemburg Oficial Primeiro. Em 10 de novembro de 1947. (excelentíssimo) s(e)n(ho)r oficial do registro civil, do 4° distrito de São Gonçalo. Em cumprimento ao determinado no artigo 114 do Decreto 4857 de 9 de novembro de 1939, comunico que nesta data, a folhas 29 e 30 do livro 2 de emancipações interdições e ausencias, foi registrada a sentença proferida em 12 de Setembro do corrente, pelo Doutor Alfredo Cumplido de Sant’Anna, juiz de direito da 29 Vara desta Comarca e que decretou a interdição de PAULINO JOSÉ DA MOTTA, casado nesse cartório no dia 1 de dezembro de 1923, tendo sido lavrado o respectivo termo a folhas 58 e 59 v° do livro 2. Saudações Ricardo Pereira Viana substituto no imp(edimento) ocasional do Oficial privativo - nada mais se continha no referido mandado que aqui oficiei. Eu [Luiz Ro(dr)i(gue)s] oficial substituto, o escrevi, digo, substituto em exercício, o escrevi aos dez dias do mês de novembro de mil novecentos e quarenta e sete, que assigna. Luiz Ro(dr)i(gue)s.
Portanto, pouco antes de morrer, Paulino perdeu o mando sobre suas coisas. Acredito que foi graças a este casamento que se deu o rompimento dele com sua primeira família, chocada pela extrema juventude de sua noiva. Com isto, Paulino se distanciou de seus filhos mais velhos e, por fim, legou todos seus bens materiais a segunda família. O filho de Laureana, anos depois, tentou reaver a parte devido a sua mãe, mas não obteve sucesso até os dias de hoje. O processo encontra-se parado na justiça.
Até o presente momento, não obtive a data de falecimento dele, apesar das buscas nos cartórios do quarto distrito de São Gonçalo e no primeiro distrito de Niterói e de São Gonçalo. Mas acredito que ele não deve ter chegado aos anos 1950. Segundo meu pai, Paulino foi enterrado no cemitério do Maruí, no bairro do Barreto em Niterói. Segundo o meu tio, durante o velório que se deu em casa, uma das velas caiu no caixão, e queimou parte da roupa do defunto!

Jandyra Pires [Parents] was born on 26 Jan 1907 in São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil. She died in São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil. She married PAULINO JOSÉ da Motta on 1 Dec 1923 in Sete Pontes em São Gonçalo.

They had the following children:

  M i Jacy Pires da Motta was born on 29 Jan 1925 in Zé Garoto em São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil. He died in Rio de Janeiro, Brasil.

Registro de Nascimento (L40 f44v) # Aos tres dias do mês de fevereiro de mil novecentos e vinte e cinco compareceu em meu cartório neste primeiro districto da cidade e comarca de São Gonçalo Franklim Ribeiro de Amorim decla digo, brasileiro, solteiro, fogista e residente a Rua Giamelli, sete, declarou que na referida rua e sem numero no dia vinte e nove do mez findo as vinte quatro horas Dona JANDYRA PIRES DA MOTTA, neste Estado, cazada com PAULINO JOSÉ DA MOTTA, brasileiro; deu a luz a uma criança do sexo masculino de cor branca que recebeu o nome de JACY, neto paterno de JOSÉ JOAQUIM DA MOTTA e Dona MARIA AUGUSTA DA CONCEIÇÃO, brasileiros, elle falecido e materno de VIRTULINO PIRES e Dona JULIETA PIRES, brasileiros, elle falecido. E para constar lavrou este termo que lido e conforme assigna o declarante com as testemunhas e commigo Alfredo da Costa Cerqueira assinão abaixo. Alfredo da Costa Cerqueira. Franklim Cordeiro de Amorim. Carlos (Camó) Machado. [Avalleres] Ferreira (Leite);
  F ii Jandyra Pires da Motta was born on 1 Dec 1926 in Zé Garoto em São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil. She died on 9 Dec 1926 in Zé Garoto em São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil. The cause of death was disenteria.

Registro de nascimento feito após o óbito # Aos vinte dias do mez de dezembro de mil novecentos e vinte e seis, compareceu no meu cartório nesta cidade de São (Gonçalo) Luiz Victor Rabelo brasileiro, cazado, operário e residente nesta cidade, declarou que a Rua Coronel Serrado, trezentos e dezenove, no dia primeiro do corrente as vinte e tres horas, dona JANDYRA PIRES DA MOTTA, de passagem nesta cidade, deste Estado cazada com PAULINO JOSÉ DA MOTTA, brasileiro; deu a luz a uma criança do sexo feminino de cor branca que recebeu o nome de JANDYRA, neta paterna de JOSÉ JOAQUIM DA MOTTA e dona MARIA ÚRSULA DA CONCEIÇÃO, brasileiros, fallecidos, e materna de VIRTULINO JOSÉ PIRES, e dona JULIETA PIRES, brasileiros, elle fallecido. E para constar lavro este termo que lido e abaixo conforme assigna o declarante com as testemunhas commigo Alfredo da Costa Cerqueira escrivão escrivi. Alfredo da Costa Cerqueira. Luiz Victor Rebello. Antonio Gomes de Silveira (....). Astrogildo Silveira de (....).

Óbito # Aos nove dias do mez de dezembro de mil novecentos e vinte e seis, compareceu no meu cartório neste primeiro districto da Cidade e Comarca de São Gonçalo, Pedro Ferreira, português, solteiro, do commercio, residente a rua Coronel Serrado sem numero, declarou que, digo, exhibiu attestado do Doutor, Luiz Palmier, digo, Alipio Machado, declarou ter fallecido no logar acima hoje ás quatorze horas, de dysenteria JANDYRA MOTTA, deste Estado, do sexo feminino, de cor branca, com nove dias de idade, filha de PAULINO JOSÉ DA MOTTA e JANDYRA PIRES DA MOTTA,e vae ser sepultada no Cemitério desta Cidade. E para constar lavro este termo que lido e conforme assigna o declarante commigo Dotaro da Costa Cordeiro, escrevente, escrevi. Dotaro da Costa Cordeiro. Pedro Ferreira;
  F iii Jaumir Pires da Motta was born on 15 Aug 1929 in Neves em São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil. She died in Rio de Janeiro, Brasil.

Registro de Nascimento # Aos vinte e um dias do mez de agosto de mil novecentos e vinte e nove, compareceu neste cartório do quarto districto da cidade de São Gonçalo, Pedro Ferreira da Costa, natural de Portugal, casado, negociante, residente a rua Doutor Norival de Freitas, duzentos e setenta e um, neste districto, declarou que em sua residência, no dia quinze do corrente, as onze horas, dona JANDYRA PIRES DA MOTTA, casada neste districto com PAULINO JOSÉ DA MOTTA, ambos deste Estado, deu a luz a uma criança de cor branca do sexo feminino que recebeu o nome de JAUMIR PIRES DA MOTTA, primeiro deste nome, neta paterna de JOSÉ JOAQUIM DA MOTTA, e digo, MANOEL JOAQUIM DA MOTTA e de MARIA ÚRSULA DA CONCEIÇÃO, brasileiros, ele fallecido e materna de VIRTULINO PIRES e de JULIETA PIRES FERNANDES, brasileiros, elle fallecido. E para constar faço este termo que lido e achado comforme designa o declarante com as testemunhas João Chrysostomo de Souza Andrada, brasileiro, casado, empregado público, residente à rua Alberto Forms, duzentos e sessenta e cinco e Manoel Luiz de Barros, brasileiro, casado, operário, residente à, digo, na [Tenda], ambos neste districto. Eu Walter Orlandini escrevente autorizado, escrevi. Eu Rubens Orlandini escrivão autorizado assignou. Rubens Orlandini. Pedro Ferreira da Costa. João Chrysostomo Souza Andrada. Manoel Luiz de Barros;

JOSÉ JOAQUIM da Motta [Parents] was born in 1830 in Fazenda do Pantanal em Rio Bonito, Rio de Janeiro, Brasil. He was christened in 1830 in Igreja de São Sebastião de Araruama. He died on 9 Feb 1910 in Boa Vista em Cabo Frio, Rio de Janeiro, Brasil. He married ÚRSULA MARIA DA CONCEIÇÃO da Silva on 20 Sep 1849 in Igreja de São Pedro d'Aldeia.

Casamento (L-- f90) # Aos vinte de septembro de mil oitocentos e quarenta e nove pelas quatro horas da tarde nesta igreja matriz depois de apregoados, e satisfeito o mais exigidos pelo sagrado concilio de Trento, e constituição do bispado forão=me prezentes JOSE JOAQUIM DA MOTTA filho legitimo de CLAUDIO JOSE DA MOTTA, e de FLORENCIA JOAQUINA DA CONCEIÇÃO, natural e baptizado na freguezia de São Sebastião de Araruama, e URSULA MARIA DE JESUS, filha legitima, de ALBINO JOSÉ DA SILVA, e de MA = MARIA IGNACIA DE JESUS, natural e baptizada na freguezia de Nossa Senhora da Lappa de Capivary, aos quais tomei os seos depoimentos tambem, e porque naõ resulta impedimento algum, se receberão em matrimonio por palavras do prezente em minha prezença, e das testemunhas Miguel Jose de Jesus, e Felizardo Francisco José Ribeiro, e por não haver abstecendo, dei=lhes logo as bençãos nupciaes. E para constar fiz este assento que com as testemunhas assignei, assignando a rogo da segunda Antonio da Silva Capistrano, tambem prezente. O vig(a)r(i)o Manoel Martins Teixeira. Antonio da Silva Capistrano. Miguel José de Jesus.

Óbito # Numero vinte e um. Aos dez dias do mez de Fevereiro de mil novecentos e dez neste primeiro Districto de Paz do Municipio de Cabo Frio, Estado do Rio de Janeiro, compareceu em meu cartório Hemelerio Gomes da Costa, pessoa idonia exhibindo o attestado assignado pelos cidadãos Aprigio Marques da Cruz e Francisco Lopes Trindade eleitores e residentes neste Municipio de Cabo Frio, declarou que no lugar denominado Boa Vista, distante do cartório mais de meia legau falleceu em domicilio próprio no dia nove do corrente mez e anno as três horas da tarde sem assitencia medica de morte natural uma pessoa que chamava-se JOSE JOAQUIM DA MOTTA, de cor branca, com oitenta annos de idade, e residente neste Municipio filiação ignorada. E vai ser sepultado no Cemitério de Santa Izabel desta Cidade. Do que para constar lavrei o presente termo que lido e achado conforme, commigo assigna o declarante. Eu Valentim Gonçalves Prata escrivão de Paz que o escrevi e assigno. Valentim Gonçalves Prata.

ÚRSULA MARIA DA CONCEIÇÃO da Silva [Parents] was born in 1833/1836 in Aldeia de Ipuca em Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil. She was christened in 1833/1836 in Igreja de Nossa Senhora da Lapa. She died in 1930 in Cabo Frio, Rio de Janeiro, Brasil. She married JOSÉ JOAQUIM da Motta on 20 Sep 1849 in Igreja de São Pedro d'Aldeia.

They had the following children:

  M i Antonio José da Motta
  M ii Manoel Luis da Motta was born in 1853 in São Pedro d'Aldeia, Rio de Janeiro, Brasil. He died on 3 Jul 1932 in Bairro Monte Alegre em Cabo Frio, Rio de Janeiro, Brasil. The cause of death was Morte Natural. He was buried on 4 Jul 1932 in Cemitério de Santa Isabel em Cabo Frio.

Óbito # Aos três de julho de mil novecentos e trinta e dois nesta cidade de Cabo Frio, Estado do Rio de Janeiro em Cartório Compareceu Alipio Pereira Gordo, pessoa idônea apresentou um atestado de óbito firmado: pelos cidadãos Manoel Celestino Ferreira da Cruz e José Benício Barbosa, chofer, ambos residentes nesta cidade declarou que em consequencia de morte natural, sem assistência médica no dia três do corrente mês às 06:00h em domicílio, no lugar denominado Monte Alegre, neste Primeiro Distrito faleceu MANOEL LUIZ DA MOTTA natural deste Município do sexo masculino, e de cor branca profissão (....) Estado Civil casado residente neste Município com setenta e nove de idade filho de JOSE LUIZ DA MOTTA e MARIA URSULA DA CONCEIÇÃO, ambos falecidos. O falecido não deixou bens a enventariar. O Sepultamento será feito no cemitério de Santa Izabel, nesta cidade. Observações (....). Nada mais declarou e achado conforme assinam o declarante Eu (....) escrevente de justiça, respondendo pela serventia, subscrevi e assino.
  M iii Leandro da Motta was born on 11 Nov 1856 in São Pedro d'Aldeia, Rio de Janeiro, Brasil. He was christened on 9 Oct 1858 in Igreja de São Pedro d'Aldeia.

Batismo (L11 f83) # Aos nove de outubro de mil oitocentos e cincoenta e oito baptizei solemnemente e pus os santos oleos ao innocente LEANDRO branco, nascido em onze de septembro de mil oitocentos e cincoenta e seis, filho legitimo de JOSE JOAQUIM DA MOTTA, natural da freguezia de Nossa Senhora da Conceição de Rio Bonito, e URSULA MARIA DA CONCEIÇÃO, natural da freguesia de São Sebastião de Araruama, netto paterno de CLAUDIO JOSE DA MOTTA, e de FLORENCIA MARIA, matterno de ALBENIO JOSE DA SILVA, e MARIA IGNACIA DA CONCEIÇÃO forão padrinhos Manoel Jose Cularte, Isabel Fernandes de Mendonça. E para constar fiz este assento que assigno. O vig(a)r(i)o Manoel Martins Teixeira.
  F iv Ana Maria da Conceição da Motta
  F v Flausina da Motta was born in Aug 1860 in São Pedro d'Aldeia, Rio de Janeiro, Brasil. She was christened on 2 Feb 1862 in Igreja de São Pedro d'Aldeia.

Batismo (L11 f168) # Aos vinte e dous de fevereiro de mil oitocentos e sessenta e dous baptizei solemnemente e pus os santos oleos a innocente FLAUSINA, branca, nascida em agosto de mil oitocentos e sessenta, filha legitima de JOSE JOAQUIM DA MOTTA, natural desta freguezia, e MARIA URSULA DA CONCEIÇÃO, freguesia de São Sebastião de Araruama, netta paterna de CLAUDIO JOSE DA MOTTA, e de FLORENÇA MARIA DA CONCEIÇÃO, e matterna não souberam dizer, forão padrinhos Antonio Jose de Sampaio, e sua mulher Anna Thomazia de São José. E para constar fiz este assento que assigno. O vig(a)r(i)o Manoel Martins Teixeira.
  M vi Heduviges Maria da Motta
  F vii Jesuína da Motta was born in 1866 in São Pedro d'Aldeia, Rio de Janeiro, Brasil.

Batismo (L12 f41v)
  F viii Maria da Motta was born in 1868 in São Pedro d'Aldeia, Rio de Janeiro, Brasil.

Batismo (L12 f101)
  M ix PAULINO JOSÉ da Motta
  M x Ramiro José da Motta was born in 1875 in São Pedro d'Aldeia, Rio de Janeiro, Brasil. He died after 1941 in São Pedro d'Aldeia, Rio de Janeiro, Brasil.

Batismo (L13 f90). Ramiro teve propriedades, incluindo salinas, em Cabo Frio e foi criador de gado (Almanak Laemmert, 1940)

MANOEL Gomes Barbio [Parents] was born on 3 Aug 1870 in Pinheiros no Arco da Calheta, Ilha da Madeira, Portugal. He was christened on 21 Aug 1870 in Igreja de São Brás do Arco da Calheta. He died about 1920 in Serrinha em Bom Jesus do Itabapoana, Rio de Janeiro, Brasil. The cause of death was Tuberculose. He was buried about 1920 in Cemitério de Santo Eduardo em Campos dos Goytacazes. He married MARIA DE JESUS Rodrigues Arraiol on 15 May 1904 in Igreja do Santíssimo Sacramento de Cantagalo.

Batismo # Aos vinte e um dias do mes d`Agosto do anno de mil oito centos e setenta, nþesta Egreja Parochial de São Bras do Arco da Calheta, Concelho da Calheta, Diocese do Funchal, baptizei solennemente um indivíduo do sexo masculino, a quem dei o nome de MANOEL, e que nasceu nþesta freguesia às cinco horas da manhã do dia tres do corrente mes e anno; filho legítimo, primeiro deste nome, de FRANCISCO GOMES BRABIO e de RITA DE JESUS, trabalhadores, naturaes desta freguesia onde foram recebidos, parochianos da mesma e moradores no Pinheiro. Neto paterno de FRANCISCO GOMES BRABIO e de ROSA DE JESUS, e materno de JOANNA DE JESUS e PAE INCOGNITO. Foi Padrinho Francisco dþAndrade, lavrador, e madrinha Maria Rosa, governo de sua casa, ambos casados e moradores no sítio da Chada, os quaes sei serem proprios. E para constar lavrei em duplicado este assento que, depois de ser lito e conferido perante os Padrinhos comigo o não assignarão por não saberem escrever. Era ut supra. O Vig(ário) Ricardo José de França Doria.

Casamento (L4 f18 #249) # Padre Francisco Antonio Pinto Pereira da Veiga. Aos quinze de Maio de Mil Novecentos e Quatro compareceram na presença do R(e)v(eren)do Coadjunto os nubentes MANUEL GOMES BRAVIO e MARIA DE JESUS elle filho legítimo de FRANCISCO GOMES BRAVIO e ella filha legítima de ANTONIO RODRIGUES BAIOL e FRANCISCA DE JESUS os quais nubentes se receberam em Matrimônio na forma do Ritual Romano. Foram testemunhas Manuel de Oliveira e Maria da Silva.


Histórico de Manoel: O pai de meu avô foi o primogênito do casal Francisco e Rita de Jesus. Batizado de Manoel, ele nasceu de madrugada de verão, um pouco depois das cinco da manhã, na localidade de Pinheiros. O dia era 03 de Agosto de 1870. Francisco e Rita esperaram mais de duas semanas para batizar o primeiro filho, o que não era muito comum. O batismo se deu na Igreja do Arco da Calheta que é dedicada a São Brás. O dia era 21 daquele mesmo mês.

Saída Forçada de Manoel da Ilha da Madeira: Manoel cresceu neste pequeno vilarejo perdido no Atlântico. O clima era agradável, no lado sul da ilha chovia bastante o que garantia boas colheitas de subsistência. As casas subiam pelas encostas íngremes da ilha. Neste ambiente paradisíaco cresceu Manoel. Desde pequeno o meu bisavô não deve ter sido fácil. De caráter forte, Manoel fazia jus aos apelidos que seu ancestral havia ganhado cem anos antes.
Até 1882 nada sei sobre esta enigmática figura. Particularmente, o ancestral que mais admiro e que por quem sou fascinado desde criança. Em 1882, a vida de Manoel mudou para todo o sempre, pois, graças a um evento fortuito ele teve de sair da Ilha da Madeira e partir para o Brasil, não sem antes passar um tempo em Portugal. Tudo começou da seguinte forma.
Certo dia, ele foi a uma nascente, que ao que parece ficava no sítio de sua família. Ao chegar lá, Manoel viu a filha do vizinho utilizando-se da fonte. Como ele era sangue quente, logo foi tirar satisfação com a moça. Não sei o que ela disse, mas certamente não foi coisa boa. Bem, sem pestanejar, Manoel pegou uma foice e acertou a assustada menina. Acho que o atentado não foi grave, pois o meu bisavô não foi preso, como deveria de se esperar. Talvez, mesmo não tenha acertado a menina.
O assunto poderia ter ficado esquecido, se o pai da menina não tivesse jurado acertar as contas com Manoel. Mas ele não deixou por menos. Antes que o pai da menina viesse tirar satisfação, ele armou uma emboscada para matar o homem.
Quem me contou esta história foi Francisco Gomes Barbio, filho de Antônio e neto de Manoel. Manoel ficou de tocaia em uma estrada com objetivo de matar o vizinho com uma pedrada! Para azar de Manoel e sorte do homem, ele não conseguiu mata-lo. Mas isto foi à gota d’água, agora era um caso de polícia.
Segundo Francisco, Manoel teria fugido da ilha, indo para Lisboa. Aí mais uma vez recai um véu na vida deste meu bisavô. Não sei se ele foi morar só, ou se ele tinha família lá. Acredito mais na segunda hipótese.
Dois anos depois, Manoel aprontou mais uma. Junto com dois amigos ele tentou embarcar para o Brasil como clandestino. Eles esperaram a noite cair para tentar entrar em um dos inúmeros barcos que ficavam na ancorados na foz do Tejo.
Eles pegaram um bote e conseguiram entrar no navio. Porém foram descobertos e mandados de volta para o barco. Mas o meu bisavô era bravo demais para admitir uma derrota. E tornou a voltar, só que agora sozinho. E não é que conseguiu!
O navio partiu para o Brasil. Já em alto mar, passando fome, ele que se entregar. O capitão do navio, como não podia mais voltar e nem jogá-lo no mar colocou-o para trabalhar na cozinha, acabando por fazer amizade com os tripulantes.
Quando chegaram ao porto do Rio de Janeiro, a tripulação disse para Manoel que fugisse da imigração. Assim que o navio atracou, ele se pôs a correr pelo píer e com os seguranças do porto gritando:
- Pega o portuguesinho, pega o portuguesinho!!.
Segundo Francisquinho, Manoel não teve sorte e teria sido pego, acabando no consulado Português, onde foi registrado. Segundo ele, o cônsul parece que se simpatizou com o guri e acabou por arranjar um emprego em um hotel da cidade. Manoel passou, então, a trabalhar como copeiro. Esta história é pouco modificada na versão que obtive com Hermógenes, filho de meus tios-avôs João Gomes Barbio e Dejanira de Abreu. Hermógenes conta que ele teria conseguido fugir das autoridades portuárias, e ainda mais, que o navio que ele chegou era de imigrantes. Manoel teria entrado clandestino e se misturado com os imigrantes portugueses. Ao chegar, como ele não tinha como passar pela triagem, teria fugido. Ao que parece, ele conseguiu refugio em uma quitanda ou botequim de um português, que o acolheu.
Dois anos depois os pais dele chegavam ao país. Não sei por quanto tempo ele ainda continuou trabalhando no Rio. Certamente, ele não havia perdido contato com a família, pois os pais dele sabiam onde ele estava. Porém, segundo Hermógenes, filho de tio João Barbio, teria sido um amigo da família que o encontrou, por um acaso.

Ida para Cordeiro no Rio de Janeiro: Em outra versão da história, a mãe dele sentia muitas saudades de seu filho mais velho. Assim ela mandou uma carta a ele, pedindo que fosse para Cordeiro, que na época era distrito de Cantagalo, onde a família residia. A passagem de trem deveria ser muito cara. Então, o que ele fez? Simplesmente foi a pé, percorrendo cerca 150 km pela linha férrea.
Chegando a casa dos pais, ele foi trabalhar na lavoura de café da fazenda. Na época, a sua família, e de sua futura esposa, eram colonos da Fazenda Ribeirão Dourado. Esta fazenda, pertencente a uma família com título nobiliárquico, havia recebido dezenas de famílias madeirenses. Na época, o distrito de Cordeiro era composto por não mais do que 700 pessoas.

Casamento de Manoel e Maria de Jesus: Nem bem a família de Maria de Jesus chegou a Cantagalo, ela conheceu o seu conterrâneo e vizinho Manoel. Seguramente não se casaram oficialmente, teria Maria engravidado, obrigando o jovem casal a assumirem a relação? O certo é que eles tiveram os seis primeiros filhos sem terem se casado na Igreja e sem terem registrado no cartório tanto de Cantagalo como de Cordeiro, que começou a fazer o registro civil somente em 1891.
Uma curiosidade que liga os dois é que um casal de pentavós de Maria de Jesus foi hexavós de Manoel. Mas isto foi há mais de duzentos anos.

Histórias de Manoel: Da parte documental, isto é tudo que pude extrair. Mas, felizmente, algumas das histórias de Manoel foram preservadas nas memórias d seus filhos e netos. Quando a da visita que fiz a Colatina (2010), na casa de tia Dejanira, o seu filho Hermógenes contou-me que, certa vez, Manoel foi ao cartório para pegar as correspondências. Ao chegar lá, o responsável pelo cartório falou que não havia chegado nada. Manoel foi então para um bar, onde encontrou um amigo que falou que havia correspondência para ele. Como ele era brigão por natureza, ele foi tirar satisfação com o funcionário do cartório. Bem, o assunto terminou em briga. Hermógenes falou que Manoel foi preso, ao menos, duas vezes naquela cidade. Isto é confirmado por minha mãe que também conta o mesmo. Coisas de Manoel!
Manoel era tido como um homem honesto e trabalhador, mas não muito compromissado com a família. Das poucas histórias que sei, conta-se que teria expulsado a filha Maria de Jesus, chamada de Mana pelos mais velhos. Segundo o que me foi dito, Maria teria sido expulsa de casa por estar namorando um homem que Manoel não aprovava. Não sei onde se deu este fato, se em Cordeiro ou em Serrinha. Tentei localizar a certidão e casamento de Mana em Cordeiro, mas não tive sucesso. Tia Dêja (Dejanira) me contou que Mana se casou com certo Pimentel, e foi vista pela última vez depois da morte do pai, quando os filhos deste venderam tudo e se mudaram para Resplendor.
Manoel não só fazia inimigos, mas também conquistou amigos. Entre eles estava o meu bisavô José Januário Pereira, que havia chegado de Portugal em junho de 1893, vindo a se estabelecer na fazenda Santa Clara, vizinha a Ribeirão Dourado. A amizade dos dois foi duradoura e permaneceu mesmo quando as duas famílias se separaram, mas voltaram a se encontrar em Serrinha, como veremos abaixo.

Mudança para Serrinha, os Pereiras e a morte de Manoel: Na mesma época em que Manoel saiu da fazenda e foi morar na cidade, José fez o mesmo. No início de 1913, o amigo de meu bisavô abandonou a cidade e foi para Santo Antônio de Pádua, ainda no mesmo Estado. Manoel permaneceu em Cordeiro até 1914, ano do nascimento de Palmira. É possível que ele tenha passado por Santo Antônio de Pádua antes de se fixar em Serrinha. Mas a estadia seguramente foi curta, já que em 1918 casava-se, naquela localidade, o filho mais velho de meu bisavô, também chamado de Manoel. Na época, o distrito rural de Serrinha, era e ainda continua sendo um vilarejo perdido do norte fluminense, fazia parte do então imenso município Campo dos Goytacazes. Porém, com a emancipação de Bom Jesus do Itabapoana, passou a fazer parte deste município. Nesta localidade, ele adquiriu um pedaço de terra e deu seguimento a vida.
Até presente momento, não tenho o óbito de Manoel que parece ter morrido em 1920, vivendo somente cinquenta anos, mas muito intensamente. As causas de morte também não são ao certo conhecidas. Segundo um neto deste, Walter filho de Francisco, Manoel teria morrido em consequência da queda de um cavalo, que teria se dado em Morro do Côco, distrito não muito longe de Serrinha e atualmente pertencente a Campos dos Goytacazes. Esta versão também é confirmada por tia Dêja, que conviveu com minha bisavó Maria de Jesus até seus últimos dias. Outros, dizem que ele morreu tuberculoso, mas esta versão, pode ser uma confusão pelo fato de Manoel ter tido tuberculose e sobrevivido.
Depois da morte de Manoel, os Pereira se mudaram para Serrinha na segunda metade da década de 1920. Não sei as causas desta mudança, mas a antiga amizade entre as duas famílias acabou por gerar quatro casamentos.

Ida para Resplendor em Minas Gerais: Após a morte de Manoel, minha bisavó continuou morando em Serrinha. Logo em seguida, os filhos resolveram dividir as terras e partiram para Resplendor, em Minas Gerais, novo centro promissor e onde o governo estava dando terras. Já na década de 1930, ela morava no distrito de Boa Esperança, atual Independência, em Resplendor. Nesta época ela residia com minha tia-avó Augusta, que já devia ser separada e mãe de três filhos. Em 1943, Maria foi morar com sua jovem nora, Dejanira, recém casada com João. Com a saúde debilitada pela idade avançada, em 1952 recebeu a visita do filho Francisco, que na época já morava no bairro do Gradim em São Gonçalo, estado do Rio de Janeiro. Pouco tempo de depois, ela recebeu a visita de outro filho, meu avô Joaquim, que havia recebido uma carta contando da piora do estado de saúde da mãe.
Foi com minha tia-avó Dejanira que Maria de Jesus passou seus últimos minutos. Ela conta que meu avô foi passar o dia com a irmã, Palmira, quando minha bisavó começou a passar mal e faleceu abraçada a ela. Maria de Jesus faleceu com 83 anos de idade no ano de 1953.
Entrevista com Tia Dêja Em junho de 2010 estive em Vitória para o casamento de minha sobrinha Dayanne. Aproveitando a oportunidade, fui visitar a viúva de tio João Barbio, Dejanira Martins de Oliveira. Aproveitando a oportunidade, gravei um pequeno depoimento, onde ela narrou fatos relativos aos meus bisavós, com especial atenção aos último dias de minha bisavó Maria de Jesus. Nesta entrevista também constam informações sobre os Pereira. A gravação foi feita em Colatina/ES, em 11 de junho de 2010. A entrevista durou exatos 15min 10s e também contou com a participação de Maria Augusta, filha mais nova de tia Dêja.
A entrevista com tia Dêja é emblemática, pois ela é a última representante viva da geração de meus avós. Começamos a conversar sobre os últimos dias de minha bisavó:

Tia Dêja: Da minha sogra (i.e. Maria de Jesus). Ela foi para lá (i.e. Resplendor) para passear. Para voltar, mas minha cunhada disse assim: ó, fica, amanhã a gente dá o banho na senhora de primeiro, depois a gente manda levar. Quando foi aquela noite, ela passou mal. Eles só não deixaram trazer porquê eu tava com meu garotinho, novinho também.
Marcelo: O Hermógenes.
Tia Dêja: O João. É o quarto filho. Aí ela foi ... Então ela foi e nóis (es)tivemos lá e fizemos uma visita a ela. Vinhemos embora. Quando foi outro dia, de manhã, o João foi lá ver ela. Eu fiquei (em casa). Quando foi mais tarde, eles fizeram o banho nela, disseram que ela deu a crise, dentro da bacia. Era uma canseira assim, que era coração inchado. Aí ele (i.e. João) foi, ficou e eles mandaram chamar nóis. Nóis fomos depressa e chegamos lá, ela enrolou a língua. Eu, aí ...
Marcelo: Foi infarto, deve ser? Hein? Eu acho que deve ter sido infarto, geralmente quando enrola a língua, assim.
Tia Dêja: É porque o médico tinha falado que o coração dela (es)tava muito inchado, mas não tinha como fazer (o) tratamento.
Marcelo: Era muito idosa, ainda mais naquela época.
Tia Dêja: E lá naquele tempo viajar também (...) mas falou pra gente ter muito cuidado. Aí, aí (ela) deu aquele chiado, chiado, a língua enrolou. Eu fiquei um pouco com ela. Ela (se) acalmou. Falei com ela: Dona Maria, eu vou lá em casa vê os meninos, e ela gostava demais de minhas crianças. Eu vou lá em casa vê as crianças. E dispois eu dou banho neles e trago eles pra nois fica aqui junto.
Fui em casa, dei (o) banho, dei (a) janta às crianças e João também jantou e nóis fomos para lá. Ficamos lá, quando foi a noite. Umas oito horas, nove horas, ela morreu. Ela morreu comigo agarrada no pescoço dela, abraçado nela, não me soltava! Aquilo pra mim, foi uma falta, parece que eu senti aquela saudade dela. Aquela falta dela. Mas ...
Marcelo: Diziam que ela era muito boa, né?
Tia Dêja: Foi onde Quinca Barbi (i.e. Joaquim Barbio) (es)tava lá. Que ele tinha chegado para visitar ela. Aí foi na casa de Palmira que era mais retirado. Foi de manhã (e) voltou de tarde. Mas, quando ele voltou de tarde, ela já tinha falecido. Ele passou a noite ...
Marcelo: Tio Chico (i.e. Francisco Barbio) (es)tava lá também?
Tia Dêja: Não, Chico foi antes e fez a visita. E dispois Quinca foi. Mas aí não dá, naquele tempo era muito difícil o trânsito para eles irem. O João, não tinha telefone, não tinha nada, era carta. Carta demorava no Correio. Então Chico não pode que os outros viera.
Marcelo: Ainda mais que a comunicação era difícil, tinha trem, pra vir, mas era demorado.
Tia Dêja: Tinha trem, pois é, mas tinha que .... Não era ônibus, não era é igual é agora para lá e pra cá. O trem vinha direto do Rio (de Janeiro) para Vitória. Tinha(-mos) que dormir em Vitória, para (pegar) no outro dia e parava na estação que ia pra casa. Mas chegava ali (na estação), tinha que ter uma pessoa esperando para buscar a cavalo. Ou a pessoa ir andado.

Neste ponto a conversa toma outro enfoque, e passamos a falar dos irmãos de meu avô, inclusive da Mana:

Marcelo: E a Senhora ... Eu sei do Tio Manoel, mais velho, inclusive eu converso com um neto dele.
Tia Dêja: José?
Marcelo: Não, não, o Gerson.
Tia Dêja: Gerson?
Marcelo: É neto dele, é filho de ...
Tia Dêja: É filho do José?!
Marcelo: Do mais novinho, não. José? Não é o nome dele.
Tia Dêja: Do Ary?
Marcelo: Eu agora, agora a Senhora me pegou.
Tia Dêja: Não, o Ary é do .... é filho do Ilton.
Marcelo: Ilton! Filho do Ilton?
Tia Dêja: Manoel Barbio só adquiriu o Ilton de homem.
Marcelo: É, eu tenho uma foto. A Senhora viu a foto no computador? Risos. Só tem menina.
Tia Dêja: Aqueles meninos eram tão agarrados comigo. Desde que me casei com o João que eles ficaram me conhecendo, no dia do casamento. Mas eles ficaram tão agarrados comigo que onde (eu) (es)tava, era Tia pra cá era Tia pra lá. E tudo era Tia! Não sei como acostumaram tanto. Só não acostumou a chamar de Tia: Irene, Manoel, falecido Zito (i.e. Francisco) da parte (i.e. filho) de Augusta. Pois, já conhecemos dispois dele mais rapazinho.
Marcelo: A Augusta era separada, né?
Tia Dêja: Ela foi separada. Mas já morreu há muito tempo também.
Marcelo: Tia Augusta, eu não conheci.
Tia Dêja: Tinha uma filha dela lá em Nova Iguaçu.
Marcelo: Nova Iguaçu, qual é?
Tia Dêja: É a... ela. A Edna! Você já conhece ela?
Marcelo: Não, não conheço.
Tia Dêja: A Edna é a caçula, filha do Manoel Costa. E ela tinha a Maria, filha dela que era a mais velha. Diz(em) que está viva ainda, mas tá com noventa e tantos anos.
Marcelo: Pois a Augusta, das mulheres, era uma das mais velhas, né?
Tia Dêja: Não, pois tinha a Maria, Mana que eles tratava(m), né?
Marcelo: Esta Maria, ela sumiu da vida, né?
Tia Dêja: Não conheci. Ouvi falar da (parte de) minha sogra (que) contava (de) muito(s) caso(s) dela e eles tudo chamavam ela de Mana.
Marcelo: Porque ela fugiu, né!
Tia Dêja: Fugiu e diz(em) que o velho foi contra.
Marcelo: É. O Manoel.
Tia Dêja: Ela só veio na casa dele quando da ocasião do inventário, que o ...
Marcelo: A senhora, bem, ninguém conheceu o Manoel, o pai do ..., no caso o seu sogro, né?
Tia Dêja: O meu sogro? Eu não conheci, não.
Marcelo: A senhora sabe onde ele morreu? Como ele morreu? Por que, uns falam que ele morreu lá em Serrinha.
Tia Dêja: Acho que foi em Serrinha.
Marcelo: Teria morrido em Morro do Côco.
Tia Dêja: Serrinha (é onde) que ele morreu.
Marcelo: É. Eu acho que, eu tinha ... Quem me falou foi ... Tia Zica, não, foi Célia, filha de Tio Chico.
Tia Dêja: Acho que foi em Serrinha que ele morreu, porque minha sogra contava muito causo de Serrinha. Lá do trabalho dele e dispois que ele morreu, eles pegaram o terreno e venderam pra comprar um terreno para todo mundo. Que dava pra trabalhar todos o mundo. Aí resolveram vir para o Rio Doce (i.e. Resplendor). Chico e Quinca não quis ficar e vortaram e chegaram vir aqui. Chico e Quinca, mas não quiseram ficar, não. E Maria Pereira também veio morar pra cá. Mas, que chegou aqui e não aguentou, por causa do calor, era diferente. E vortaram. E o João falou assim: Eu não vou voltar. Já gastou um dinheiro aqui, vou ficar por aqui. E os outros ficaram na ideia do João. Ficou o cumpadre Miguel, cumpadre Antônio, Seu Maneco, que é seu tio, que (é) irmão de sua avó, Maneco Pereira (i.e. Manoel Pereira). Aí, comprou um sitiozinho. Aí, todos colocaram ali, compraram um terreninho.
Marcelo: Tudo lá em Resplendor?
Tia Dêja: É, município de Resplendor. Manoel Barbio. Ficou Manoel Barbio, Seu Maneco, o cumpadre Antônio e (o) cumpadre Miguel, tudo divisa um com o outro. Mas, já o cumpadre Tião (i.e. Sebastião) Santana, casado com sua tia Carola, Carolina.
Marcelo: Carolina.
Tia Dêja: Ela comprou mais para baixo um pouco.
Tia Dêja: Esta Carolina é Pereira ou Barbio?
Tia Dêja: Não! Balbio.
Marcelo: É Balbio, né.
Maria Augusta: Ela é filha mais nova da minha avó, (a) tia Carola.
Marcelo: Carolina, eu tenho lá em minha ficha.

Sobre a mudança do sobrenome de Barbio para Balbio por parte da família:

Tia Dêja: Este nome tem uma confusão, quando eu conheci eles falavam Barbi, dispois eles foram trabalhar num Cartório.
Marcelo: O Barroca, cartório do Barroca!
Tia Dêja: cartório do Barroca. O Antônio também trabalhou (lá). O João foi trabalhar com o ele, o juiz de paz e (a)djunto do Promotor. Então ele, mais o Antônio, se mudaram para Itaboraí. Aí ele disse: João, você não assina Barbio, você assina Balbio.
Marcelo: É, ele trocou, mas o certo é Barbio. Sabia?
Tia Dêja: Mas o João ficou. Aqui em Colatina é Balbio que você fala.
Marcelo: Os mais velhos (es)tão Balbio. O meu avô (es)tá Barbio, agora Tio Chico (es)tá Balbio.
Tia Dêja: Pois é!
Marcelo: Mas a gente chama de Barbio. Lá (em São Gonçalo), todo mundo é Barbio. É Célia, Vanilda, ... todo mundo fala Barbio.
Maria Augusta: Todo mundo fala errado!
Vários falando ao mesmo tempo.
Tia Dêja: Aqui não tem Barbio não, aqui tudo é Barbio. Lá não tem Barbio, é porque vocês não saber falar o nome. Risos.

Sobre parentes de minha avó materna:

Marcelo: Tem outro bisavô meu, talvez a senhora até tenha conhecido, José Januário Pereira que é o marido da Maria Pereira. A senhora chegou a conhecer ele? Não? Acho que ele morreu em (19)35.
Tia Dêja: Não, acho que não, eu conheci o João Pereira que era casado com Maria Pereira, mas ela era Aguiar, Maria Pereira Aguiar.
Marcelo: É outra família?!
Tia Dêja: Maria Aguiar Pereira, que era irmã do Antônio Aguiar.
Marcelo: Este Antônio Aguiar..
Tia Dêja: Era português de lá também. O João Pereira morreu acidentado numa carreta.
Marcelo: João Pereira, irmão de minha avó?
Tia Dêja: É, irmão da sua avó, da cumadre Aninha.
Marcelo: Morreu lá em Resplendor também?
Tia Dêja: Morreu na estrada de Resplendor, pois ele vinha para Resplendor. Morreu numa carreta de ... de madeira. Pegou uma carona, ia buscar um remédio para a Maria que (es)tava doente. Naquele tempo as coisa eram muito difícil. Tinha que vir na cidade. Aí, ele pegou uma carona e veio. Quando chega lá no trecho que eles chamam de Vala Grande, que é um areião ... A carreta enguiçou, o motorista falou assim com o outro ajudante: Vocês impurram a carreta. Foram impurrar a carreta e esqueceram de avisar a ele como fazia. Ele impurrou, mas ficou na frente da carreta e foi com tudo passou em cima dele. Morreu na hora!
Marcelo: Caramba!
Tia Dêja: Tadinho do João Pereira, trabalhando. Ele tinha o Jacy, tinha um outro, como é que é gente (o nome deles)? Eu sei que ele tem, Helena, esqueço os nomes das outras meninas. Helena até trabalhou comigo lá uns ..., quase um mês lá em casa.

Sobre outros parentes de meu avô:

Marcelo: É engraçado que os Barbios, tem muita mulher. O meu avô só teve menina. Ele teve um. Ele teve gêmeos que eram Manoel José e José Manoel que pegou tuberculose, criança. E só sobrou mulher. Aí, depois só o último, que é meu Tio Carlos.
Tia Dêja: O Manoel Barbio também, a esposa dele teve gêmeos.
Marcelo: Eu vi lá, duas meninas.
Tia Dêja: Duas meninas.
Marcelo: Duas meninas, (es)tá lá a foto das duas lá. Aquela foto antiga.
Tia Dêja: Aquelas meninas gostam tanto de mim: Vai tia, vai lá passear. Mas, (elas) (es)tão lá em Belo Horizonte.
Marcelo: É chão.
Tia Dêja: Não sou muito de passear não. Risos. Mas os que veio aqui para o Rio Doce, eu conheci tudo. São muitos! São bastante! Mas espalharam. Foram para Belo Horizonte. Um, dispois da família criada foi para o Rio (de Janeiro). Lá no Rio tem, há tempos, a Juliana, o João, minha neta, pegou um neto do Ary. O Ary é filho do cumpadre Antônio. Cumpadre Antônio foi um filha de mulher só e quatro (homens).
Marcelo: Antônio Barbio?
Tia Dêja: Antônio Barbio, ele só foi uma filha mulher e quatro filho homem.
Marcelo: Eu conheço um é o ..
Tia Dêja: Mas crio três, um morreu novo.
Tia Dêja: Francisquinho. Eu conheço Francisquinho.
Tia Dêja: Pois é, parece que o que está vivo agora.
Maria Augusta: Francisco? Nós tivemos na casa dele, mãe.
Tia Dêja: Francisco! Nóis tivemos na casa dele. É o Francisco.
Marcelo: A mulher dele morreu há pouco tempo, agora.
Maria Augusta: A mulher dele?
Tia Dêja: Ele até não tinha filho nenhum, porque ele adotou uma criança, uma menina. Pois não sei o nome, aquela garotinha, bonitinha, muito boazinha.
Marcelo: Ele morava, Francisquinho morava perto de Tio Chico. Mora ainda.
Tia Dêja: Chico Barbi foi com nóis lá na casa de Francisco. Francisco conheceu nóis lá em Minas (Gerais). Lá, novinho, a gente conheceu ele pequeno. Até que ele veio rapazinho pra cá, para trabalhar no Rio. O Ary trabalhou lá perto de casa, também, ele ... O primo dele, filho do Chico Português, já era outra família. (Ele) era casado na família. Então ficaram tudo uma família só.
Marcelo: Que nem os Pereira e os Barbios. Os Balbios misturaram tudo.
Tia Dêja: Era os Pereira, os Balbio, os pessoal do Chico Português e (os) Aguiar. Foram tudo aqui do Estado do Rio pra lá e a gente ficou aqui (i.e. Resplendor).
Marcelo: Então, praticamente todos os Barbios se casaram em Resplendor, né? Meu avô, não. Meu avô se casou em Serrinha.
Tia Dêja: Não, Manoel Barbio casou em Serrinha, cumpadre Antônio, cumpadre Miguel, todos vieram com as famílias já montada(s), acho que no norte. Do cumpadre Antônio não nasceu ninguém (em Resplendor). Não lembro do Pedrinho, você conhece o Pedrinho do Antônio Barbi?
Marcelo: Não, não conheço.
Tia Dêja: Ele é deficiente.
Marcelo: Acho que ele já é falecido, já.
Tia Dêja: É?
Marcelo: Eu acho que sim.
Tia Dêja: Ele andava (se) arrastando, depois arranjaram uma cadeira de rodas. Quando nóis (es)tivemos lá no Rio. O Alcy foi levar nóis na casa dele. Ele morava com a filha, pois ele só tinha uma filha. Os filhos foram saindo pra trabalhar, empregado, e ele ficou morando com esta filha. A filha casou (e) ele ficou morando com a Maria. Ela tinha um marido muito bom. Faleceu também, depois que o Tião faleceu, ele faleceu pouco tempo depois.
Marcelo: O Pedrinho?
Tia Dêja: O Antônio Barbio.
Marcelo: Tio Antônio, eu lembro dele bem velinho.
Tia Dêja: Acho que dos homem, o cumpadre Manoel, o cumpadre Antônio era o mais velho. Ele era o mais velho de todos.

No fim da conversa, voltamos a falar sobre a Mana:

Marcelo: Eu acho que das mulheres, esta Maria, Mana.
Tia Dêja: Era mais velha que os outros tudo.
Marcelo: Esta Mana, a senhora tinha falado que ela ... O que me contaram é que ela brigou, que ela quis casar com outro cara que o Manoel não gostava, e expulsou ela de casa.
Tia Dêja: Um tal de Pimenta, Pimentel. Era Pimentel.
Marcelo: De sobrenome Pimentel.
Tia Dêja: O homem que casou com ela.
Marcelo: Lá em Resplendor?
Tia Dêja: Não, foi lá em Serrinha.
Marcelo: Tá certo, Manoel morreu em Serrinha.
Tia Dêja: Quando eles vieram pro Rio Doce, ela já ficou casada pra lá e sumiu dali e perderam.
Marcelo: É, sumiu, desapareceu.
Maria Augusta: É, então tem parente perdido.
Marcelo: Não! O que mais tem é parente perdido!
Tia Dêja: Você toma café?
Marcelo: Eu tomo sim. Vamos parar um pouquinho aqui?


O sobrenome Barbio, versão mais antiga encontrada por mim, sofreu modificações no Brasil. Parte da família, em especial daqueles que se fixaram em Resplendor/MG foram modificados para Balbio, ou coloquialmente para Barbi. Resultando que alguns dos descendentes de Manoel e Maria de Jesus são conhecidos pelo sobrenome Balbio. Para evitar confusão, todos os sobrenomes de filhos deste casal usam o sobrenome Barbio, já os seus decendentes, quando assim o for, Balbio.

MARIA DE JESUS Rodrigues Arraiol [Parents] was born on 4 Feb 1870 in Chada no Arco da Calheta, Ilha da Madeira, Portugal. She died in 1953 in Independência (Boa Esperança) em Resplendor, Minas Gerais, Brasil. She married MANOEL Gomes Barbio on 15 May 1904 in Igreja do Santíssimo Sacramento de Cantagalo.

Batizado (L11 f10) # O presbytero Ricardo José de França Doria, vigário collado na egreja parochial de São Bráz do Arco da Calheta, Diocese de Funchal, P(ortug)al. Certifico in verbo sacerdotis que no livro decimo primeiro dos baptisados do novo registro parochial d´esta egreja a folhas dez se acha o termo do theor seguinte: Aos treze dias do mes de fevereiro do anno de mil oito centos e setenta, n´esta egreja parochial de São Brás do Arco da Calheta, concelho da Calheta, diocese do Funchal, baptizei solennemente um indivíduo do sexo feminino, a quem dei o nome de MARIA, que nasceu n´esta freguesia a uma hora da manhã do dia quatro do corrente mes e anno, filha legítima d´ANTONIO RODRIGUES ARRAYOL, lavrador, e de FRANCISCA DE JESUS, d´ocupação domestica, naturaes d´esta freguesia, onde forão recebidos parochianos da mesma e moradores no sítio da Chada, neta paterna de JOÃO RODRIGUES ARRAYOL e de MARIA JOAQUINA, e materna de GREGÓRIO JANUÁRIO DA SILVA e de MARIA MAGDALENA. Foi padrinho Antonio Januário da Silva, solteiro, e madrinha Rosa de Jesus, ambos solteiros, e moradores no sítio do Pombal e Fazenda Grande, os quaes sei serem os proprios. E para constar lavrei em duplicado este assento, que depois de ser lido e conferido perante os padrinhos comigo o não (assignão) por não saberem escrever. Vigário Ricardo José de França Dória. Nada mais contem o referido termo a cujo original me reporto. Arco da Calheta, 11 de janeiro de 1890. O vigário Ricardo José de França Dória.

Certidão Negativa para saida da Ilha da Madeira # Diz MARIA DE JESUS, solteria, filha de ANTONIO RODRIGUES ARRAYOL e de FRANCISCA DE JESUS, natural da freg(uesi)a do Arco da Calheta que o supra precisa que o escrivão encarregado do registro criminal lhe certifique o que consta a seu respeito. Deferido, não havendo Inconveniente. P(on)ta do Sol, 13 de janeiro de 1890. P(eço) a V(ossa) Ex(celên)cia lhe defina. Arogo Feliciano José de Macedo F(ilh)o.

Confirmação de ficha limpa # Attesto que dos boletins archivados do registro criminal d’esta comarca, nada consta contra MARIA DE JESUS, filha de ANTONIO RODRIGUES ARRAYOL e de FRANCISCA DE JESUS, natural da freguesia do Arco da Calheta. Registro criminal da Comarca da Ponta do Sol, aos 14 de janeiro de 1890. Encarregado: Francisco José (....) Pereira. Rc 300 reis. J. Pereira.

They had the following children:

  F i Maria de Jesus Gomes Barbio
  M ii Manoel Gomes Barbio
  M iii Antônio Gomes Barbio
  F iv Augusta de Jesus Gomes Barbio
  M v Daniel Gomes Barbio
  F vi Cristina de Jesus Gomes Barbio
  F vii Carolina de Jesus Gomes Barbio
  M viii Francisco Gomes Barbio
  M ix João Gomes Barbio
  M x JOAQUIM Gomes Barbio
  F xi Palmira Gomes Barbio

JOSÉ JANUÁRIO Pereira [Parents] was born in 1862 in Sítio da Lombada em São Martinho, Ilha da Madeira, Portugal. He was christened on 30 Mar 1862 in Igreja de São Martinho. He died in Jan 1935 in Serrinha em Bom Jesus do Itabapoana, Rio de Janeiro, Brasil. He was buried in 1935 in Cemitério de Santo Eduardo em Campos dos Goytacazes. He married MARIA José dos Santos on 15 Jun 1889 in Igreja de São Pedro do Funchal.

Dados da Ficha de dispença militar # CONCELHO DO FUNCHAL RECRUTAMENTO DO EXERCITO DE 1883. RESALVA SIGNAES CARACTERISTICOS. Altura 1,63 m. Rosto redondo. Olhos pretos. Nariz grosso. Boca regular. Cabelo preto. Barba pouca. Cor morena. SIGNAES PARTICULARES. Visto, Adm(inistra)ção do Conc(elho) do Funchal, 20 de Dezembro de 1883. O Adm(initra)dor Subs(titu)to do Conc(elh)o. Foi isento do recrutamento a que se procedeu neste Concelho no anno de 1883, JOSÉ filho de JANUÁRIO PEREIRA e MARIA DE JESUS natural da freguesia de São Martinho domiciliado actualmente no sítio da Lombada tendo de edade ao recensear 20 annos. Profissão Carreiro por ter provado perante a Camara o ter sido isento pela Commissão Districtal em sessao de 2 de Novembro de 1883 por estremas circunstancias do desposto no art. 8 n° 2 da lei de 27 de Julho de 1855 como do (...) Para sua salva guarda se lhe passou o presente documento em execução do inciso 2° do artigo 40 da lei de 27 de Julho de 1855. Dado no Funchal aos 12 de Dezembro de 1883. O Presidente, Os Vereadores.

Casamento # Aos quinze dias do mez de Junho do anno de mil oito cento e oitenta e nove, nesta Egreja Parochial de Sam Pedro, Concelho e Diocese de Funchal, na minha presença, compareceram os nubentes JOSÉ PEREIRA, e MARIA DOS SANTOS, os quaes sei serem os próprios, com todos os papeis do estylo corrente, sem impedimento algum, que cusstasse, canônico ou civil para este cazamento; elle d'edade vinte e seis annos complectos, solteiro, carreiro, morador no Sitio da Cruz do Carvalho desta freguesia, filho legitimo de JANUARIO PEREIRA, e de MARIA DE JESUS, todos naturaes e baptisados na freguesia de Sam Martinho; e ella d'edade de vinte annos incompletos, solteira, vivendo em companhia de seus Paes, com supremum consentimento delles, filha legitima de MARIA DO MONTE DO CARMO, naturaes e baptizados na freguesia do Monte, e de MANOEL JOZÉ DOS SANTOS, natural da freguesia de Sam Roque deste Concelho, e todos moradores e parrochianos da dita freguesia do Monte, do Sitio do Terco: os quaes nubentes se receberam pur marido e mulher, e os uni em Matrimonio, procedendo em todo este acto conforme o rito da Santa Madre Egreja Cattolica Apostólica Romana. Foram testemunhas presentes, que dou fé serem os próprios, alem d'outras, Francisco d'Abreu, cazado, trabalhador e morador no Pico de Sam João desta freguesia, e Antonio de Freitas, cazado, [ilegível], morador do Sitio da Pedreira da sobredita freguesia do Monte. E [ilegível] constar [ilegível] em duplicado este assento, que, depois de lido e conferido perante os cônjuges, e testemunhas commigo assignaram a cônjuge, e a primeira testemunha, [ilegível] o cônjuge, e a segunda testemunha pur declarar que não sabiam escrever. Era ut supra. Maria dus Santos. Francisco de Abreu. O Cônego Vigário Gregório João Moniz.

Processo para Imigração para o Brasil # Edade 30. Altura 1,64. Rosto redondo. Cabellos pretos. Olhos castanhos. Boca regular. Nariz ' (reto). Cor Típica. O Il(ustrissi)mo Ex(celentíssi)mo (Juiz) do Governo Civil dþeste Districto. Diz JOSÉ PEREIRA casado natural de São Martinho que pretende sahir dþeste Districto para o Brazil, levando em sua companhia sua mulher e dois filhos e como não pode fazer sem o respectivo passaporte pede a V(ossa) Ex(celênci)a se digne mandar-lhe passar e como não tirou folhas corridas pede a V(ossa) Ex(celênci)a lhe mande tomar a respectiva fiança dando por fiador a Antonio dþAndrade solteiro natural de São Pedro. P(eço) a V(ossa) Ex(celênci)a lhe defira. E. R. Mcê. Funchal, 10 de Maio de 1893. Arogo: - Alexandre Severino Gomes.

Descende do Rei dos Reis Dario I da Pérsia, de Fernando I de Castela, Carlos Magno, Ramiro II das Asturias, de Addallah ibn Muhammed Sétimo Emir de Córdova, Hugo Capeto, William I o Conquistador da Inglaterra, Afonso Henriques.

MARIA José dos Santos [Parents] was born in Dec 1869 in Sítio do Terço no Monte, Ilha da Madeira, Portugal. She was christened on 26 Dec 1869 in Igreja de Nossa Senhora do Monte. She died on 23 Feb 1951 in Bairro do Gradim em São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil. The cause of death was colápso cardíaco gastro-enterite. She was buried on 24 Feb 1951 in Cemitério São Miguel de São Gonçalo. She married JOSÉ JANUÁRIO Pereira on 15 Jun 1889 in Igreja de São Pedro do Funchal.

Óbito # Aos vinte e três dias de fevereiro de mil novecentos e cinquenta e um, nesta vila de Neves, quarto distrito município de São Gonçalo, do Estado do Rio de Janeiro, em meu cartório, compareceu Francisco Gomes Balbio, brasileiro e declarou que neste Distrito, à Travessa Ipiranga, cento e vinte, hoje às sete horas ~~ minutos em ~~ faleceu MARIA DOS SANTOS PEREIRA, do sexo feminino, de cor branca, com setenta e nove anos de idade, natural de Portugal, estado civil viúva, profissão doméstica, residente no local do óbito, filha, de pais ignorados, natural d ~~ e de ~~. Causa da morte Colápso cardíaco - gastro enterite, atestado de óbito firmado pelo Doutor Diário Ferreira da Silva. O sepultamento será feito no cemitério de São Gonçalo. Viúva de José Januário Pereira, foram casados em Portugal, deixando os seguintes filhos: Elisa, Belmira, Manoel, Maria do Carmo, Rosa, Joaquim, Ana e Izaura. Não deixou bens a inventariar. Lida a declaração e achada conforme, assina o Oficial do Registo Civil com o declarante que é casado e residente neste município. (....) oficial, (....) e assino. X Francisco Gomes Balbio. (....).

Descende de Carlos Magno, Fernando I de Castela e Leão, de Ramiro II de Leão e de Addallah ibn Muhammed Sétimo Emir de Córdova.

They had the following children:

  F i Elisa Pereira
  F ii Belmira Pereira
  F iii Leonilde dos Santos Pereira
  F iv Maria do Carmo Pereira
  M v Manoel Pereira
  M vi Joaquim Pereira
  F vii Aldina Pereira was born on 26 May 1901 in Fazenda Santa Clara em Cordeiro, Rio de Janeiro, Brasil. She died in 1912/1920 in Santo Antônio de Pádua, Rio de Janeiro, Brasil.

Registo de nascimento (L6 f123 #327) # Aos trinta dias do mez de maio de mil nove centos e um neste districto de Cordeiro no termo de Cantagalo, estado do Rio de Janeiro, neste cartório compareceu JOSE PEREIRA, portuguez, natural da ilha da Madeira, lavrador morando em terras da fazenda Santa Clara, neste districto, filho legitimo de JANUARIO PEREIRA e de MARIA DE JESUS, moradores na ilha da Madeira, casado na referida Ilha da Madeira com MARIA JOSE DOS SANTOS, portugueses e natural da Ilha da Madeira, filha legitima de MANOEL JOSE DOS SANTOS morador na Ilha da Madeira, e de MARIA (DO) MONTE DO CARMO, já fallecida, que declarou: que sua mulher no dia vinte e seis do corrente mez s seis horas da manhã deo a luz a uma criança do sexo feminino que terá o nome de ALDINA. Do que para constar lavro este termo que asignão comigo a rogo do declarante que não sabe ler e escrever Alfredo Alves Ferreira, testemunhas, presentes. Eu Joaquim Reis Vellero, escrivão escrevi. Joaquim Reis Vellero. Alfredo Alves Ferreira. Ataide Gomes Campos;
  F viii Matilde Pereira was born on 26 Sep 1904 in Fazenda Santa Clara em Cordeiro, Rio de Janeiro, Brasil. She died in 1940/1950 in Santo Antônio de Pádua, Rio de Janeiro, Brasil. The cause of death was Câncer.

Registro de nascimento (L7 f187 #452) # Aos três dis do mez de outubro de mil novecentos e quatro, n’este districto de Paz de Cordeiro, termo de Cantagalo Estado do Rio de Janeiro, n’este cartório compareceu JOSÉ PEREIRA, português, lavrador, residente em terras da Fazenda Santa Clara, n’este districto, filho legitimo de JANUARIO PEREIRA e MARIA DE JESUS, portugueses, residentes na Ilha da Madeira em Portugal, casado com MARIA JOSÉ DOS SANTOS, portuguesea filha legitima de MANOEL JOSÉ DOS SANTOS residente em Portugal e MARIA DO MONTES DO CARMO, já falecida e declara que sua mulher no dia vinte e seis do mez passado, as oito horas da noite deu a luz uma criança do sexo feminino de cor branca que se chamará MATHILDE; do que para constar lavro este termo em que assigna commigo a rogo do declarante por não saber escrever Sebastião Xavier de Lima e as testemunhas presentes. Eu José Candido Vieira de Sousa, Oficial do registro civil escrevi.. José Candido Vieira de Souza. Sebastião Xavier de Lima. Alfredo de Souza Vianna. Antonio (Cardoso) de Siqueira.
  M ix João Pereira
  F x Rosa Pereira
  F xi Ana Pereira
  F xii IZAURA Pereira

Living [Parents]

Living [Parents]

They had the following children:

  M i Living
  M ii Living
  F iii Living

Living [Parents]

Marli de Oliveira [Parents] was born on 20 May 1941 in São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil. She died in 1995/2000 in São Gonçalo, Rio de Janeiro, Brasil. She married Living on 25 Nov 1961 in Igreja Matriz de São Gonçalo.

They had the following children:

  M i Living
  M ii Living
  F iii Living

Paulo Jorge Moura Dias [Parents] was born on 25 Oct 1959 in Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. He died on 21 Nov 2009 in Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. The cause of death was Leucemia. He was buried on 22 Nov 2009 in Cemitério Parque da Saudade em Niterói. He married Living on 8 Jul 2000 in São Gonçalo, Rio de Janeiro.

Living [Parents]

Other marriages:
Living

They had the following children:

  M i Living

Living [Parents]

Living [Parents]

Other marriages:
Moura Dias, Paulo Jorge

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